<?xml version="1.0" encoding="iso-8859-1"?><feed version="0.3" xmlns="http://purl.org/atom/ns#" xmlns:buzznet="http://www.buzznet.com/atom/">
	<title>Raladoo's Journals</title>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com"/> 	
	<modified>2007-05-13T09:10:00Z</modified>
	<id>buzznet:user:id:21411</id>
	<generator name="Buzznet">http://www.buzznet.com/</generator>
	<copyright>Copyright (c) 2005, Buzznet, Inc.</copyright>
	<author><name>raladoo</name></author>
		  <entry>
	    <title>Guerra na Igreja</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/206941/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:206941</id>
	    <issued>2007-05-13T09:10:00Z</issued>
	    <modified>2007-05-13T09:10:00Z</modified>
	    <created>2007-05-13T09:10:00Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<P><B>Existem duas posiÃ§Ãµes claramente opostas que, na prÃ¡tica, podem se entrelaÃ§ar </B>
<P><B>LEONARDO BOFF</B><BR><FONT size=-1>ESPECIAL PARA A FOLHA </B></FONT><BR><BR>AS GUERRAS nÃ£o&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;P&gt;&lt;B&gt;Existem duas posi&#195;&#167;&#195;&#181;es claramente opostas que, na pr&#195;&#161;tica, podem se entrela&#195;&#167;ar &lt;/B&gt;

&lt;P&gt;&lt;B&gt;LEONARDO BOFF&lt;/B&gt;&lt;BR&gt;&lt;FONT size=-1&gt;ESPECIAL PARA A FOLHA &lt;/B&gt;&lt;/FONT&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;AS GUERRAS n&#195;&#163;o existem apenas no mundo. Dentro da igreja h&#195;&#161; tamb&#195;&#169;m uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas v&#195;&#173;timas, com os instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras, n&#195;&#163;o raro, piedosas e espirituais. S&#195;&#179; para dar um exemplo pessoal: quando fui condenado pelo ent&#195;&#163;o cardeal Joseph Ratzinger em 1985 por causa do meu livro &quot;Igreja: carisma e poder&quot;, foi-me imposto o que ele denominou de &quot;sil&#195;&#170;ncio obsequioso&quot;. &lt;BR&gt;Esse eufemismo implicava muita viol&#195;&#170;ncia: deposi&#195;&#167;&#195;&#163;o de c&#195;&#161;tedra, remo&#195;&#167;&#195;&#163;o de editor religioso da Vozes, da reda&#195;&#167;&#195;&#163;o da &quot;Revista Eclesi&#195;&#161;stica Brasileira&quot;, proibi&#195;&#167;&#195;&#163;o severa de falar, dar entrevistas, escrever e publicar sobre qualquer assunto. &lt;BR&gt;Objetivamente &quot;obsequioso&quot; n&#195;&#163;o possui nada de obsequioso. &lt;BR&gt;O mesmo ocorreu com o te&#195;&#179;logo da liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o Jon Sobrino, de El Salvador, condenado em fevereiro deste ano. Recebeu apenas uma &quot;notifica&#195;&#167;&#195;&#163;o&quot;. Esta inocente palavra, &quot;notificatio&quot;, esconde viol&#195;&#170;ncia porque ele n&#195;&#163;o pode mais falar, nem dar aulas, conceder entrevistas e acompanhar qualquer trabalho pastoral. O vitimado por uma condena&#195;&#167;&#195;&#163;o &#195;&#169; &quot;moralmente&quot; morto, pois vem colocado sob suspeita geral, tolhido, isolado e psicologicamente submetido a graves transtornos, o que levou a alguns a terem neuroses e a um deles, famoso, perseguido por id&#195;&#169;ias de suic&#195;&#173;dio. &lt;BR&gt;N&#195;&#179;s fomos, no m&#195;&#173;nimo, ca&#195;&#167;ados e anulados, pois um te&#195;&#179;logo possui apenas como instrumento de trabalho a palavra escrita e falada. E estas lhe foram seq&#195;&#188;estradas, coisa que conhecemos das ditaduras militares. &lt;BR&gt;O que foi escrito acima parece irrelevante, pois &#195;&#169; algo pessoal, mas n&#195;&#163;o deixa de ser ilustrativo da guerra religiosa vigente dentro da Igreja. Nela o ent&#195;&#163;o cardeal Ratzinger era general. Hoje como papa &#195;&#169; o comandante em chefe. Qual &#195;&#169; este embate? &#195;&#137; importante referi-lo para entender palavras e advert&#195;&#170;ncias do papa e a partir de que modelo de teologia e de Igreja constr&#195;&#179;i o seu discurso. &lt;BR&gt;Dito de uma forma simplificadora, mas real: h&#195;&#161; na igreja duas op&#195;&#167;&#195;&#181;es claramente opostas, o que n&#195;&#163;o impede que, na pr&#195;&#161;tica, possam se entrela&#195;&#167;ar. Face ao mundo, &#195;&#160; cultura e &#195;&#160; sociedade h&#195;&#161; a atitude de confronto ou de di&#195;&#161;logo. &lt;BR&gt;A partir da Reforma no s&#195;&#169;culo 16 predominou na Igreja Cat&#195;&#179;lica romana a atitude de confronto: primeiro com as Igrejas protestantes (evang&#195;&#169;licas) e depois com a modernidade. &lt;BR&gt;Face &#195;&#160; Reforma houve excomunh&#195;&#181;es, e face &#195;&#160; modernidade, an&#195;&#161;temas e condena&#195;&#167;&#195;&#181;es de coisas que nos parecem at&#195;&#169; ris&#195;&#173;veis: contra a ci&#195;&#170;ncia, a democracia, os direitos humanos, a industrializa&#195;&#167;&#195;&#163;o. A Igreja se havia transformado numa fortaleza contra as vagas de reformismo, secularismo, modernismo e relativismo. Miss&#195;&#163;o da igreja, segundo esse modelo do confronto, &#195;&#169; testemunhar as verdades eternas, anunciar a Cristo como o &#195;&#186;nico Redentor da humanidade e a Igreja sua &#195;&#186;nica e exclusiva mediadora, fora da qual n&#195;&#163;o h&#195;&#161; salva&#195;&#167;&#195;&#163;o. &lt;BR&gt;Em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma tal vis&#195;&#163;o com a m&#195;&#161;xima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo &#195;&#169; centralizado no Cristo. Esta atitude belicosa predominou at&#195;&#169; os anos 60 do s&#195;&#169;culo passado quando foi eleito um papa anci&#195;&#163;o, quase desconhecido, mas cheio de cora&#195;&#167;&#195;&#163;o e bom senso, Jo&#195;&#163;o 23. Seu prop&#195;&#179;sito era passar do an&#195;&#161;tema ao di&#195;&#161;logo. Quis escancarar as portas e janelas da Igreja para arej&#195;&#161;-la. Considerava blasf&#195;&#170;mia contra o Esp&#195;&#173;rito Santo imaginar que os modernos s&#195;&#179; pensam erros e praticam o mal. &lt;BR&gt;H&#195;&#161; bondade no mundo, como h&#195;&#161; maldade na Igreja. Importa &#195;&#169; dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na hist&#195;&#179;ria humana. &lt;BR&gt;Deus mesmo chega sempre antes do mission&#195;&#161;rio, pois o Esp&#195;&#173;rito Criador sopra onde quiser e est&#195;&#161; sempre presente nas buscas humanas suscitando bondade, justi&#195;&#167;a, compaix&#195;&#163;o e amor em todos. A figura do Esp&#195;&#173;rito ganha centralidade. &lt;BR&gt;Fruto da op&#195;&#167;&#195;&#163;o pelo di&#195;&#161;logo foi o Conc&#195;&#173;lio Vaticano 2&#194;&#186; (1962-1965), que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e com a modernidade pelo m&#195;&#186;tuo reconhecimento e pela colabora&#195;&#167;&#195;&#163;o em vista de algo maior que a pr&#195;&#179;pria Igreja, uma humanidade mais dignificada e uma Terra mais cuidada. &lt;BR&gt;Este &quot;aggiornamento&quot; trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, especialmente na Am&#195;&#169;rica Latina, que criou espa&#195;&#167;o para aquilo que se chamou de Igreja da base ou da liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o e da Teologia da Liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o. Mas acirrou tamb&#195;&#169;m as frentes. &lt;BR&gt;Grupos conservadores, especialmente incrustados na burocracia do Vaticano, conseguiram se articular e organizaram um movimento de restaura&#195;&#167;&#195;&#163;o, de volta &#195;&#160; grande tradi&#195;&#167;&#195;&#163;o. &lt;BR&gt;Este grupo foi enormemente refor&#195;&#167;ado sob Jo&#195;&#163;o Paulo 2&#194;&#186;, que vinha da resist&#195;&#170;ncia polonesa ao marxismo. Chamou como bra&#195;&#167;o direito e principal conselheiro, seu amigo, o te&#195;&#179;logo Joseph Ratzinger, elevando-o diretamente ao cardinalato e fazendo-o presidente da Congrega&#195;&#167;&#195;&#163;o para a Doutrina da F&#195;&#169;, a ex-Inquisi&#195;&#167;&#195;&#163;o. &lt;BR&gt;A&#195;&#173; se processou de forma sistem&#195;&#161;tica, vinda de cima, uma verdadeira Contra-Reforma Cat&#195;&#179;lica. O pr&#195;&#179;prio cardeal Ratzinger no seu conhecido &quot;Rapporto sulla fede&quot;, de 1985, um verdadeiro balan&#195;&#167;o da f&#195;&#169;, dizia claramente: &quot;A restaura&#195;&#167;&#195;&#163;o que propiciamos busca um novo equil&#195;&#173;brio depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo&quot;. &lt;BR&gt;Ele elaborou teologicamente a op&#195;&#167;&#195;&#163;o pelo confronto a partir de sua forma&#195;&#167;&#195;&#163;o de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um dualismo na vis&#195;&#163;o do mundo e da Igreja. Por um lado est&#195;&#161; a cidade de Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza deca&#195;&#173;da e por outra, a gra&#195;&#167;a sobrenatural. &lt;BR&gt;O Ad&#195;&#163;o deca&#195;&#173;do n&#195;&#163;o pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho religioso e &#195;&#169;tico (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho social e cultural. &lt;BR&gt;Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva. &lt;BR&gt;Em raz&#195;&#163;o desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a modernidade, vendo nela a arrog&#195;&#162;ncia do homem buscando sua emancipa&#195;&#167;&#195;&#163;o por pr&#195;&#179;prias for&#195;&#167;as. Por mais valores que ela possa apresentar, n&#195;&#163;o s&#195;&#163;o suficientes, pois n&#195;&#163;o alcan&#195;&#167;am o n&#195;&#173;vel sobrenatural, &#195;&#186;nico car&#195;&#161;ter realmente emancipador. Nela v&#195;&#170; mais que tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa &#195;&#169; tamb&#195;&#169;m sua dificuldade com a Teologia da Liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o. A liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o social, econ&#195;&#180;mica e pol&#195;&#173;tica que pretendemos, segundo ele, n&#195;&#163;o &#195;&#169; verdadeira liberta&#195;&#167;&#195;&#163;o, porque n&#195;&#163;o passa pela media&#195;&#167;&#195;&#163;o do sobrenatural. &lt;BR&gt;Para concluir, se o atual papa tivesse assumido uma teologia do Esp&#195;&#173;rito, coisa ausente em sua produ&#195;&#167;&#195;&#163;o teol&#195;&#179;gica, teria uma leitura menos pessimista da modernidade. &lt;BR&gt;No atual momento se d&#195;&#161; o forte embate entre essas duas op&#195;&#167;&#195;&#181;es. A Igreja latino-americana pende mais pela op&#195;&#167;&#195;&#163;o do di&#195;&#161;logo. Esta &#195;&#169; mais adequada &#195;&#160; cultura brasileira que n&#195;&#163;o &#195;&#169; fundamentalista nem dogm&#195;&#161;tica, mas profundamente relacional e dialogal com todas as correntes espirituais. &lt;BR&gt;Somos naturalmente sincr&#195;&#169;ticos na convic&#195;&#167;&#195;&#163;o de que em todos os caminhos espirituais h&#195;&#161; bondade para al&#195;&#169;m dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus. &lt;BR&gt;N&#195;&#163;o parece ser esta a op&#195;&#167;&#195;&#163;o de Bento 16: seus discursos enfatizam a constru&#195;&#167;&#195;&#163;o da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na catedral de S&#195;&#163;o Paulo. &lt;BR&gt;Essa Igreja &#195;&#169; necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo te&#195;&#179;logo Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, zelosos e comprometido com a miss&#195;&#163;o de orientar e conduzir os muitos, sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo. &lt;BR&gt;Ocorre que esses poucos nem sempre s&#195;&#163;o bons. Haja vista os padres ped&#195;&#179;filos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrog&#195;&#162;ncia, ser mais humilde e confiar que o Esp&#195;&#173;rito e o Cristo c&#195;&#179;smico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida. &lt;/P&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>O migrante e os usineiros</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/155012/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:155012</id>
	    <issued>2007-04-12T20:21:46Z</issued>
	    <modified>2007-04-12T20:21:46Z</modified>
	    <created>2007-04-12T20:21:46Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<font size="5"><b>O migrante e os usineiros</b></font><p>
<b>RICARDO ANTUNES</b><br>
<br>
<b>O lulismo Ã© expressÃ£o de um governo que fala para os pobres,
vivencia as benesses&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;font size=&quot;5&quot;&gt;&lt;b&gt;O migrante e os usineiros&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;p&gt;



&lt;b&gt;RICARDO ANTUNES&lt;/b&gt;&lt;br&gt;

&lt;br&gt;



&lt;b&gt;O lulismo &#195;&#169; express&#195;&#163;o de um governo que fala para os pobres,

vivencia as benesses do poder e garante a boa vida aos grandes capitais&lt;/b&gt;&lt;br&gt;

&lt;br&gt;



EM ARTIGO anterior (&quot;Tend&#195;&#170;ncias/Debates&quot; de 3/1), indicamos o pragmatismo, a concilia&#195;&#167;&#195;&#163;o e o messianismo como elementos 

fortes da fenomenologia do lulismo. 

&lt;br&gt;

Quais seriam os tra&#195;&#167;os ontol&#195;&#179;gicos 

constitutivos desse fen&#195;&#180;meno? 

&lt;br&gt;

Lula &#195;&#169; a express&#195;&#163;o p&#195;&#186;blica mais 

bem-sucedida do &quot;self made man&quot; pol&#195;&#173;tico do Brasil recente: migrante do 

Nordeste brasileiro, labutou no ABC 

como torneiro mec&#195;&#162;nico e se tornou a 

principal lideran&#195;&#167;a do Sindicato dos 

Metal&#195;&#186;rgicos de S&#195;&#163;o Bernardo do 

Campo. 

&lt;br&gt;

Sua viva espontaneidade e real representa&#195;&#167;&#195;&#163;o dos metal&#195;&#186;rgicos, sua 

a&#195;&#167;&#195;&#163;o sindical corajosa e recusa &#195;&#160; pol&#195;&#173;tica tradicional foram respons&#195;&#161;veis 

diretos por esse significativo salto. 

&lt;br&gt;

Desde a segunda metade dos anos 

1970, liderou as hist&#195;&#179;ricas greves do 

ABC, participou da funda&#195;&#167;&#195;&#163;o do PT e 

da CUT (Central &#195;&#154;nica dos Trabalhadores), foi cassado da presid&#195;&#170;ncia do 

sindicato pela ditadura militar. 

&lt;br&gt;

Durante a d&#195;&#169;cada de 1980, esteve 

presente em praticamente todas as 

lutas sociais e pol&#195;&#173;ticas importantes: 

nas incont&#195;&#161;veis greves, nos embates 

eleitorais, na constituinte, at&#195;&#169; as memor&#195;&#161;veis elei&#195;&#167;&#195;&#181;es de 1989, em que sofreu um embuste eleitoral profundo. 

&lt;br&gt;

De metal&#195;&#186;rgico, tornou-se representante, o mais vigoroso, das for&#195;&#167;as 

sociais do trabalho. Do ABC para S&#195;&#163;o 

Paulo e da&#195;&#173; para o conjunto do pa&#195;&#173;s. 

&lt;br&gt;

Sua extra&#195;&#167;&#195;&#163;o social era l&#195;&#173;mpida: migrante de origem e metal&#195;&#186;rgico de

alma, teve nessa fase muito mais acertos do que erros -quando se

procura fazer uma retrospectiva hist&#195;&#179;rica s&#195;&#179;bria, nem &quot;ex post&quot; nem

apolog&#195;&#169;tica. &lt;br&gt;

Lula era uma express&#195;&#163;o t&#195;&#173;pica dos 

&quot;pe&#195;&#181;es&quot; do ABC, como os metal&#195;&#186;rgicos se autodenominavam. 

&lt;br&gt;

Mas a d&#195;&#169;cada seguinte, a dos anos 1990, trouxe muta&#195;&#167;&#195;&#181;es profundas,

inicialmente com Fernando Collor de Mello e depois com Fernando

Henrique Cardoso. O pa&#195;&#173;s estancou, os assalariados se informalizaram e

o desemprego estrutural explodiu. O pa&#195;&#173;s se desertificou. &lt;br&gt;

O PT e a CUT sofreram na carne esse processo. E Lula, o ex-metal&#195;&#186;rgico,

pouco a pouco se distanciava de sua categoria (e classe) de origem,

assumindo um &quot;modus vivendi&quot; mais pr&#195;&#179;ximo das classes m&#195;&#169;dias, como

transparece no depoimento que deu a Jo&#195;&#163;o Moreira Salles em &quot;Entreatos&quot;.

&lt;br&gt;

Seu crescente papel de &quot;tertius&quot; 

dentro do PT, com um s&#195;&#169;q&#195;&#188;ito de lulistas sempre dando suporte, ampliava sua tend&#195;&#170;ncia que oscilava entre a 

lideran&#195;&#167;a e o mandonismo, ainda que 

nublada pela (apar&#195;&#170;ncia de) simplicidade em suas a&#195;&#167;&#195;&#181;es. 

&lt;br&gt;

Como seus seguidores fi&#195;&#169;is jamais 

faziam nenhum reparo, Lula, acentuando seu tra&#195;&#167;o bonapartista, consolidava a imagem de um farol sempre 

iluminado que mostrou sua plenitude 

no poder, depois das elei&#195;&#167;&#195;&#181;es de 2002. 

&lt;br&gt;

Distanciado de sua origem oper&#195;&#161;ria, submerso no novo ethos de classe 

m&#195;&#169;dia, galgando degraus ainda mais 

altos na escala social, tudo isso foi 

convertendo Lula em uma variante 

de homem duplicado que passou a admirar cada vez mais os exemplos daqueles que v&#195;&#170;m &quot;de baixo&quot; e vencem 

dentro da ordem. Da&#195;&#173; sua admira&#195;&#167;&#195;&#163;o 

por personagens como Zez&#195;&#169; di Camargo e Luciano, para ficar nesses 

exemplos. 

&lt;br&gt;

Sua nova forma de ser gerou uma 

consci&#195;&#170;ncia invertida de seu passado 

e um deslumbramento em rela&#195;&#167;&#195;&#163;o ao 

presente. 

&lt;br&gt;

Preservada a empatia &quot;direta&quot; com 

as massas, tendo se moldado celeremente pelo conv&#195;&#173;vio com freq&#195;&#188;entadores dos pal&#195;&#161;cios, o lulismo, com 

seus dotes arbitrais -num momento 

em que as fra&#195;&#167;&#195;&#181;es dominantes n&#195;&#163;o 

puderam garantir em 2002 a sucess&#195;&#163;o 

presidencial-, se tornou express&#195;&#163;o 

de um governo que fala para os pobres, vivencia as benesses do poder e 

garante mesmo a boa vida aos grandes capitais. 

&lt;br&gt;

Uma esp&#195;&#169;cie de semibonapartismo, 

recatado frente &#195;&#160; hegemonia financeira e h&#195;&#161;bil no manuseio de sua base 

social, que vem migrando dos trabalhadores organizados para os estratos 

mais penalizados que recebem o Bolsa Fam&#195;&#173;lia. E para o qual o PT se tornou dispens&#195;&#161;vel. 

&lt;br&gt;

O que nos recorda o personagem 

Felix Krul, de Thomas Mann, que, 

ap&#195;&#179;s experimentar uma vida d&#195;&#186;plice, 

confessou: &quot;Percebi que a troca de 

exist&#195;&#170;ncias n&#195;&#163;o produziu apenas uma 

deliciosa renova&#195;&#167;&#195;&#163;o mas tamb&#195;&#169;m certa oblitera&#195;&#167;&#195;&#163;o no meu interior -no 

sentido de que todas as recorda&#195;&#167;&#195;&#181;es 

de minha vida anterior haviam sido 

exiladas de minha alma&quot;. 

&lt;br&gt;

O que ajuda a entender, ent&#195;&#163;o, por 

que Lula agora &#195;&#169; s&#195;&#179; elogios para os 

usineiros. 

&lt;br&gt;



&lt;/p&gt;&lt;hr noshade=&quot;noshade&quot; size=&quot;1&quot;&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;

&lt;b&gt;RICARDO LUIZ COLTRO ANTUNES&lt;/b&gt;, 54, &#195;&#169; professor titular de

sociologia do Instituto de Filosofia e Ci&#195;&#170;ncias Humanas da Unicamp

(Universidade de Campinas) e autor, entre outros livros, de &quot;Riqueza e

Mis&#195;&#169;ria do Trabalho no Brasil&quot; (Boitempo, 2006).&lt;/font&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Globaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o n&#195;&#163;o reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/114825/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:114825</id>
	    <issued>2007-02-10T14:02:44Z</issued>
	    <modified>2007-02-10T14:02:44Z</modified>
	    <created>2007-02-10T14:02:44Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[GlobalizaÃ§Ã£o nÃ£o reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU<!--/TITULO--> <!--noindex--><!--PRINT:EXCLUDE--><!--PUBLICIDADE-->
<!--
folha_ads_show( "online.mundo" , "180x150" , "0" ) ;
//--></SCRIPT>
<DIV class=ad1>Publicidade<BR><!-- Sniffer&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[Globaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o n&#195;&#163;o reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU&lt;!--/TITULO--&gt; &lt;!--noindex--&gt;&lt;!--PRINT:EXCLUDE--&gt;&lt;!--PUBLICIDADE--&gt;

&lt;!--

folha_ads_show( &quot;online.mundo&quot; , &quot;180x150&quot; , &quot;0&quot; ) ;

//--&gt;&lt;/SCRIPT&gt;







&lt;DIV class=ad1&gt;Publicidade&lt;BR&gt;&lt;!-- Sniffer Code for Flash version=60 --&gt;

 

on error resume next 

ShockMode = (IsObject(CreateObject(&quot;ShockwaveFlash.ShockwaveFlash.6&quot;)))



&lt;/DIV&gt;&lt;!--/PUBLICIDADE--&gt;&lt;!--/PRINT:EXCLUDE--&gt;&lt;!--/noindex--&gt;&lt;!--/--&gt;&lt;!--TEXTO--&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;A globaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o e liberaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o, como motores do crescimento econ&#195;&#180;mico e o desenvolvimento dos pa&#195;&#173;ses, n&#195;&#163;o reduziram as desigualdades e a pobreza nas &#195;&#186;ltimas d&#195;&#169;cadas, segundo livro divulgado neste s&#195;&#161;bado pela ONU (Organiza&#195;&#167;&#195;&#163;o das Na&#195;&#167;&#195;&#181;es Unidas).&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;A publica&#195;&#167;&#195;&#163;o, que leva o t&#195;&#173;tulo &quot;Flat World, Big Gaps&quot; (Um Mundo Plano, Grandes Disparidades, em tradu&#195;&#167;&#195;&#163;o livre), foi editado por Jomo Sundaram, secret&#195;&#161;rio-geral adjunto da ONU para o Desenvolvimento Econ&#195;&#180;mico, e Jacques Baudot, economista especializado em temas de globaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Seu lan&#195;&#167;amento coincide com a realiza&#195;&#167;&#195;&#163;o da 45&#194;&#170; sess&#195;&#163;o da Comiss&#195;&#163;o sobre Desenvolvimento Social da ONU, que revisa os objetivos da c&#195;&#186;pula mundial de Copenhague de 1995.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&quot;A redu&#195;&#167;&#195;&#163;o da desigualdade n&#195;&#163;o est&#195;&#161; separada de quest&#195;&#181;es como a pobreza e a falta de emprego&quot;, disse Baudot. &quot;A id&#195;&#169;ia do livro &#195;&#169; recuperar e situar como uma prioridade na agenda internacional o v&#195;&#173;nculo existente entre estes indicadores.&quot;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Para Baudot, centrar as atividades para reduzir a pobreza no crescimento econ&#195;&#180;mico conduz a estrat&#195;&#169;gias nacionais e regionais que n&#195;&#163;o respeitam o meio ambiente, outro fator para continuar com a desigualdade e a pobreza.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;No trabalho se constata que a distribui&#195;&#167;&#195;&#163;o das receitas individuais melhorou levemente, gra&#195;&#167;as ao crescimento econ&#195;&#180;mico na China e &#195;&#141;ndia, mas mesmo assim a reparti&#195;&#167;&#195;&#163;o da riqueza mundial piorou e os &#195;&#173;ndices de pobreza se mantiveram sem mudan&#195;&#167;as entre 1980 e 2000.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;A desigualdade na renda per capita aumentou em v&#195;&#161;rios pa&#195;&#173;ses da OCDE (Organiza&#195;&#167;&#195;&#163;o para a Coopera&#195;&#167;&#195;&#163;o e o Desenvolvimento Econ&#195;&#180;mico) durante essas duas d&#195;&#169;cadas, o que sugere que a desregula&#195;&#167;&#195;&#163;o dos mercados teve como resultado uma maior concentra&#195;&#167;&#195;&#163;o do poder econ&#195;&#180;mico.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;O livro indica que a desigualdade econ&#195;&#180;mica nos pa&#195;&#173;ses do Oriente M&#195;&#169;dio e o Norte da &#195;&#129;frica n&#195;&#163;o mudou, ao contr&#195;&#161;rio da cren&#195;&#167;a generalizada, mas aumentou na maioria dos outros pa&#195;&#173;ses em desenvolvimento.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Deste modo, constata que a globaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o e a liberaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o comercial n&#195;&#163;o ajudou a reduzir a pobreza e a desigualdade na maioria de pa&#195;&#173;ses da &#195;&#129;frica.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;No livro se conclui que s&#195;&#179; uma pequena por&#195;&#167;&#195;&#163;o do crescimento da economia mundial contribuiu na redu&#195;&#167;&#195;&#163;o da pobreza.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&quot;Houve uma tremenda liberaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o financeira e se pensava que o fluxo de capital iria dos pa&#195;&#173;ses ricos aos pobres, mas ocorreu o contr&#195;&#161;rio&quot;, anotou Sundaram.&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;Como exemplo, citou que os EUA recebem investimentos dos pa&#195;&#173;ses em desenvolvimento, concretamente nos b&#195;&#180;nus e obriga&#195;&#167;&#195;&#181;es do Tesouro, e em outros setores.]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Kadogos, as crian&#195;&#167;as-soldados do Congo</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/110808/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:110808</id>
	    <issued>2007-02-03T17:25:04Z</issued>
	    <modified>2007-02-03T17:25:04Z</modified>
	    <created>2007-02-03T17:25:04Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<span id="v10nb">03/02/2007</span><br>
<span id="a18bb"><span id="marromtit">"Kadogos", as crianÃ§as-soldados do Congo</span></span><br>
subtitulo = 'CrianÃ§as foram raptadas por guerrilheiros quando tinham 11-12 anos; eles aprenderam&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;span id=&quot;v10nb&quot;&gt;03/02/2007&lt;/span&gt;&lt;br&gt;

&lt;span id=&quot;a18bb&quot;&gt;&lt;span id=&quot;marromtit&quot;&gt;&quot;Kadogos&quot;, as crian&#195;&#167;as-soldados do Congo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;



subtitulo = 'Crian&#195;&#167;as foram raptadas por guerrilheiros quando tinham 11-12 anos; eles aprenderam a manejar armas, elas foram &quot;feitas mulher&quot;';

if (subtitulo.length &gt; 2) { document.write ('&lt;span id=a13bb&gt;'+subtitulo+'&lt;/span&gt;&lt;br&gt;') };

&lt;/script&gt;&lt;span id=&quot;a13bb&quot;&gt;Crian&#195;&#167;as foram raptadas por guerrilheiros quando tinham 11-12 anos; eles aprenderam a manejar armas, elas foram &quot;feitas mulher&quot;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;

&lt;br style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;

&lt;span id=&quot;v10bb&quot;&gt;Jean-Pierre Tuquoi&lt;br&gt;

Enviado especial a Goma (Rep&#195;&#186;blica Democr&#195;&#161;tica do Congo)&lt;/span&gt;&lt;br&gt;

&lt;br&gt;

Junto com a guerra na Rep&#195;&#186;blica Democr&#195;&#161;tica do Congo (RDC), uma palavra

nova passou a pertencer ao vocabul&#195;&#161;rio: &quot;kadogo&quot;. Em sua&#195;&#173;li (grupo de

l&#195;&#173;nguas faladas na &#195;&#129;frica do Leste), &quot;kadogo&quot; significa

&quot;crian&#195;&#167;a-soldado&quot;. Todos os grupos armados que ainda est&#195;&#163;o em atividade

neste pa&#195;&#173;s que antigamente tinha por nome Zaire contam &quot;kadogos&quot; nas

suas fileiras. Tanto o ex&#195;&#169;rcito chamado de regular quanto as diferentes

mil&#195;&#173;cias.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Com

o fim progressivo dos confrontos, o n&#195;&#186;mero de &quot;kadogos&quot; vem diminuindo.

De 30.000 quando a guerra estava no seu auge, ele teria diminu&#195;&#173;do at&#195;&#169;

ficar limitado a alguns milhares. Os mais felizardos retornaram para a

sua fam&#195;&#173;lia e hoje aprendem uma profiss&#195;&#163;o em centros de forma&#195;&#167;&#195;&#163;o

financiados por ONGs ou pela Unicef (Fundo das Na&#195;&#167;&#195;&#181;es Unidas para a

Inf&#195;&#162;ncia): eles se tornam marceneiro ou agricultor para os rapazes,

costureira para as meninas... Nesses centros, as condi&#195;&#167;&#195;&#181;es de vida s&#195;&#163;o

espartanas e os meios materiais limitados.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Muhima, um s&#195;&#179;lido

rapag&#195;&#163;o de 17 anos, &#195;&#169; um dos pension&#195;&#161;rios de um centro de aprendizagem

em Goma, a capital do Kivu do Norte, no leste da RDC. O seu outro nome

&#195;&#169; Salomon. Ele tinha 11 ou 12 anos - ele n&#195;&#163;o sabe mais ao certo -

quando um dos seus primos, cinco anos mais velho do que ele, o

convenceu a segui-lo e a juntar-se a um grupo armado que combatia os

movimentos pr&#195;&#179;-ruandeses que operavam na regi&#195;&#163;o.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Eu n&#195;&#163;o ia mais

para a escola. Conseguia apanhar alguns peixes no rio, mas, em casa, as

coisas n&#195;&#163;o andavam bem. N&#195;&#179;s n&#195;&#163;o t&#195;&#173;nhamos dinheiro. O meu primo tinha

escutado falar de um grupo que parava US$ 30 [R$ 63,26] por m&#195;&#170;s. N&#195;&#179;s

dois fugimos sem nada dizer aos pais&quot;, conta Muhima.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Os jovens

recrutas s&#195;&#163;o bem recebidos pelos militares. Os rapazes da sua idade n&#195;&#163;o

s&#195;&#163;o raros no grupo. &quot;Os militares me deram imediatamente um traje e uma

arma. No treinamento, eu aprendi rapidamente a desmontar e remontar o

fuzil&quot;, diz. Muhima &#195;&#169; incapaz de explicar de qual tipo de arma se

tratava, mas ele a descreve com precis&#195;&#163;o. Era um fuzil-metralhador.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Come&#195;&#167;am

ent&#195;&#163;o cinco anos de uma guerra muito estranha, feita de marchas

intermin&#195;&#161;veis na selva, de acampamentos sum&#195;&#161;rios, de refei&#195;&#167;&#195;&#181;es que n&#195;&#163;o

chegam realmente a alimentar, de combates epis&#195;&#179;dicos, de fugas, de

contra-ataques... O jovem rapaz alistou-se num grupo de v&#195;&#161;rias centenas

de guerreiros &quot;Mai Mai&quot;, que goza de uma reputa&#195;&#167;&#195;&#163;o de invencibilidade.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Antes

dos combates, eles faziam escarifica&#195;&#167;&#195;&#181;es nos nossos bra&#195;&#167;os e colocavam

p&#195;&#179;s tradicionais sobre as feridas. Com isso, ningu&#195;&#169;m poderia nos matar.

Eu vi foguetes explodirem bem ao meu lado, e balas me tocarem sem me

machucar&quot;, afirma. Com a mesma candura, Muhima garante que os seus

chefes, protegidos por talism&#195;&#163;s, tinham o poder de se tornarem

invis&#195;&#173;veis e de &quot;passar do outro lado das linhas inimigas&quot;. &quot;N&#195;&#179;s

matamos muitos inimigos durante os combates&quot;, assegura. &quot;Quanto a n&#195;&#179;s,

s&#195;&#179; tivemos alguns feridos&quot;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Os Mai Mai n&#195;&#163;o faziam

prisioneiros&quot;, acrescenta o adolescente. &quot;Eles eram executados&quot;. At&#195;&#169;

mesmo as mulheres? &quot;Sim&quot;, responde ele antes de se corrigir. &quot;As

mulheres eram integradas no nosso grupo. N&#195;&#179;s n&#195;&#163;o as mat&#195;&#161;vamos&quot;. Um

pouco mais tarde, o ex menino-soldado explicar&#195;&#161; que o seu chefe - de

quem ele se tornara guarda-costas ap&#195;&#179;s ter sido nomeado suboficial -

havia proibido aos seus homens de matar os gorilas que vivem na regi&#195;&#163;o.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Para

esquecer a viol&#195;&#170;ncia e divertir-se, conta ainda Muhima, &quot;havia c&#195;&#162;nhamo,

os cigarros, o 'lutuku' [um &#195;&#161;lcool &#195;&#160; base de banana e de milho]&quot;. E as

mulheres, para os mais velhos. &quot;N&#195;&#179;s, os jovens, n&#195;&#163;o t&#195;&#173;nhamos mulheres.

&#195;&#137; por isso que n&#195;&#179;s &#195;&#169;ramos verdadeiros guerreiros&quot;, diz. Da sua nova

vida de aprendiz de marceneiro, ele fala movido por sentimentos

moderados. Ela &#195;&#169; tranq&#195;&#188;ila se comparada com aquela que ele levou

durante anos na selva. Mas ele teria preferido ser desmobilizado e

receber um pec&#195;&#186;lio assim como o seu primo, que hoje &#195;&#169; adulto.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Moises

estava no campo advers&#195;&#161;rio. Ele tinha cerca de 10 anos - ele n&#195;&#163;o sabe

exatamente - quando ele foi requisitado &#195;&#160; for&#195;&#167;a como carregador por

rebeldes tutsis que haviam invadido a sua aldeia. Esses fatos ocorreram

em 1998. Era o in&#195;&#173;cio de uma hist&#195;&#179;ria absurda que terminou em 2006 com

o fim progressivo das hostilidades no leste do Congo. Nesse meio-tempo,

o jovem rapaz aprendeu a manejar as armas e a servir-se delas assim

como um adulto.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Da barb&#195;&#161;rie da guerra, ele fala sem nenhuma

emo&#195;&#167;&#195;&#163;o aparente. &#195;&#137; verdade, quando o inimigo atacava o seu campo, &quot;as

garotas eram quase sempre mortas: elas n&#195;&#163;o corriam depressa o bastante

para conseguir fugir&quot;. Como se comportava o seu pr&#195;&#179;prio grupo na

situa&#195;&#167;&#195;&#163;o inversa? &quot;Quando n&#195;&#179;s liber&#195;&#161;vamos uma aldeia, alici&#195;&#161;vamos as

garotas para integr&#195;&#161;-las no nosso grupo. A gente podia brincar com

elas. Algumas se tornavam a mulher de um soldado&quot;, diz.&lt;br&gt;&lt;br&gt;O

adolescente participou de combates. A prova disso &#195;&#169; a dupla cicatriz

que ele tem na sua perna direita. Uma delas foi feita por uma bala que

o atingiu de rasp&#195;&#163;o; j&#195;&#161;, a outra &#195;&#169; recorda&#195;&#167;&#195;&#163;o de uma punhalada. &quot;Eu

estava lutando pelo meu pa&#195;&#173;s&quot;, diz ele, sem fornecer maiores precis&#195;&#181;es.

&quot;N&#195;&#179;s t&#195;&#173;nhamos aulas de educa&#195;&#167;&#195;&#163;o pol&#195;&#173;tica. O inimigo eram os Mai Mai e

os caras do FDLR [os soldados e os membros de mil&#195;&#173;cias que se bandearam

para a RDC em 1994, ap&#195;&#179;s terem sido expulsos da Ruanda]&quot;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Certa

vez, acrescenta Moises, ele foi feito prisioneiro por um grupo de Mai

Mai: &quot;Eles me amarraram e me ataram no teto de uma casa, acima do

sagu&#195;&#163;o, durante uma semana&quot;. Ele explica que conseguiu escapar em

circunst&#195;&#162;ncias misteriosas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Fazendo eco aos relatos dos rapazes

que foram recrutados e empurrados para a guerra, em muitos casos contra

a sua vontade, os jovens mo&#195;&#167;as que lutaram ao seu lado ou contra eles

tamb&#195;&#169;m contam as suas hist&#195;&#179;rias. Dos seus anos de guerra, essas

adolescentes n&#195;&#163;o hesitam a pintar um retrato sombrio. Elas n&#195;&#163;o se

queixam. Elas n&#195;&#163;o acusam ningu&#195;&#169;m.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Faida recorda-se de que homens

de uniforme de brim - um grupo de Mai Mai - a raptaram um dia que ela

estava caminhando para buscar &#195;&#161;gua na floresta. Ela tinha ent&#195;&#163;o 16

anos. Ela ficou com eles durante dois anos. Faida foi &quot;feita mulher&quot;,

conforme ela diz, por um soldado de 20 anos de quem ela ignora por que

ele a escolheu em vez de uma outra. Ele &#195;&#169; o pai, que ela n&#195;&#163;o quer mais

rever, da crian&#195;&#167;a que ela est&#195;&#161; carregando nas costas. J&#195;&#161; faz tr&#195;&#170;s

meses, ela est&#195;&#161; aprendendo a costurar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;A hist&#195;&#179;ria de Anouarit&#195;&#169;,

que tamb&#195;&#169;m tem 18 anos, n&#195;&#163;o &#195;&#169; muito diferente. Ela tamb&#195;&#169;m foi raptada,

em 2004, n&#195;&#163;o longe de Goma, por militares - aqueles liderados pelo

general Laurent Nkunda, um chefe rebelde que hoje &#195;&#169; alvo de um mandato

de pris&#195;&#163;o internacional - e for&#195;&#167;ada a segui-los enquanto ela estava

indo trabalhar na lavoura, certa manh&#195;&#163;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Alertados, os seus pais

at&#195;&#169; que tentaram recuper&#195;&#161;-la, indo at&#195;&#169; o campo dos rebeldes, mas, aos

serem amea&#195;&#167;ados pelos homens de farda, eles foram obrigados a voltar

para tr&#195;&#161;s. Ela viveu por cerca de dois anos com os militares do general

rebelde, os quais ela foi for&#195;&#167;ada a acompanhar como se ela fosse a sua

sombra nas suas peregrina&#195;&#167;&#195;&#181;es. Ela cozinhava, ajudada pelas &quot;grandes

mulheres&quot;, mais velhas do que ela.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Um belo dia, um miliciano

tomou-a como mulher. &quot;No in&#195;&#173;cio, ele era gentil&quot;, conta, &quot;mas, depois

ele come&#195;&#167;ou a me bater. As outras mulheres vinham para me consolar&quot;. No

dia em que ela deu &#195;&#160; luz um filho na floresta, ele lhe deu duas tangas.

Ent&#195;&#163;o, ele sumiu. Ela se aproveitou da situa&#195;&#167;&#195;&#163;o para fugir do campo.

Ela voltou para a sua fam&#195;&#173;lia, que a recebeu muito bem. Hoje, Anouarit&#195;&#169;

est&#195;&#161; aprendendo a profiss&#195;&#163;o de costureira, e cria o seu filho. Ela lhe

deu o nome de Esperan&#195;&#167;a.

&lt;br&gt;&lt;br&gt;

&lt;span id=&quot;v10nb&quot;&gt;&lt;b&gt;Tradu&#195;&#167;&#195;&#163;o:&lt;/b&gt; Jean-Yves de Neufville&lt;/span&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Feministas de Burca</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/110807/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:110807</id>
	    <issued>2007-02-03T17:19:14Z</issued>
	    <modified>2007-02-03T17:19:14Z</modified>
	    <created>2007-02-03T17:19:14Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<span id="a18bb"><span id="marromtit">Feministas de burca</span></span><br>
subtitulo = '';
if (subtitulo.length > 2) { document.write ('<span id=a13bb>'+subtitulo+'</span><br>') };
</script>
<br style="line-height: 20px;">
<span id="v10bb">Charlotte Eagar</span><br>
<br>
Quando os&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;span id=&quot;a18bb&quot;&gt;&lt;span id=&quot;marromtit&quot;&gt;Feministas de burca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;



subtitulo = '';

if (subtitulo.length &gt; 2) { document.write ('&lt;span id=a13bb&gt;'+subtitulo+'&lt;/span&gt;&lt;br&gt;') };

&lt;/script&gt;

&lt;br style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;

&lt;span id=&quot;v10bb&quot;&gt;Charlotte Eagar&lt;/span&gt;&lt;br&gt;

&lt;br&gt;

Quando os EUA, Reino Unido e seus parceiros na coaliz&#195;&#163;o invadiram o

Afeganist&#195;&#163;o, h&#195;&#161; mais de cinco anos, uma de suas principais preocupa&#195;&#167;&#195;&#181;es

- depois do terrorismo e do plantio de &#195;&#179;pio - era o tratamento das

mulheres pelo Taleban. A degrada&#195;&#167;&#195;&#163;o das mulheres no Afeganist&#195;&#163;o

conquistou grande parte da aprova&#195;&#167;&#195;&#163;o liberal para a guerra.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;table table=&quot;&quot; valign=&quot;left&quot; align=&quot;center&quot; border=&quot;0&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; height=&quot;300&quot; width=&quot;440&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://n.i.uol.com.br/midiaglobal/070202burca.jpg&quot; alt=&quot;afp&quot; border=&quot;0&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;td rowspan=&quot;2&quot; width=&quot;10&quot;&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;font face=&quot;arial&quot; size=&quot;1&quot;&gt;Sob o Taleban, as mulheres era for&#195;&#167;adas a usar burcas sob a pena de serem chicoteadas&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br&gt;Sob

o Taleban, as mulheres eram proibidas de trabalhar ou ir &#195;&#160; escola. Elas

eram for&#195;&#167;adas a usar longas burcas e esvoa&#195;&#167;avam como lamparinas azuis

pelas ruas. Se pegas descobertas eram chicoteadas. A puni&#195;&#167;&#195;&#163;o pelo

adult&#195;&#169;rio era a execu&#195;&#167;&#195;&#163;o em um campo de esportes cercado por multid&#195;&#181;es,

para quem as matan&#195;&#167;as semanais tomavam o lugar da televis&#195;&#163;o, cinema,

m&#195;&#186;sica e outros entretenimentos proibidos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Depois da queda de

Cabul, vieram v&#195;&#161;rios &quot;especialistas em discrimina&#195;&#167;&#195;&#163;o sexual&quot;, dedicados

a dar poder &#195;&#160;s mulheres no Afeganist&#195;&#163;o. Mesmo assim, um relat&#195;&#179;rio no

ano passado de uma ONG que trabalha no Afeganist&#195;&#163;o desde 2003,

Womankind Worldwide, afirma que o status das mulheres no Afeganist&#195;&#163;o

n&#195;&#163;o melhorou significativamente nos &#195;&#186;ltimos cinco anos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Nem

todas as not&#195;&#173;cias s&#195;&#163;o m&#195;&#161;s. Gra&#195;&#167;as &#195;&#160; discrimina&#195;&#167;&#195;&#163;o positiva na

constitui&#195;&#167;&#195;&#163;o, inspirada pelo Ocidente, que requer que ao menos 25% dos

membros do parlamento sejam mulheres, h&#195;&#161; hoje 68 mulheres

parlamentares. O parlamento Afeg&#195;&#163;o tem uma propor&#195;&#167;&#195;&#163;o maior de mulheres

(27%) do que o Reino Unido (19%) ou os EUA (22%). A escola &#195;&#169;

obrigat&#195;&#179;ria para meninas entre 7 e 12 anos. A idade de consentimento

para o casamento mudou de 7 para 16 anos para meninas. A igualdade das

mulheres agora est&#195;&#161; garantida pela constitui&#195;&#167;&#195;&#163;o, que afirma: &quot;Cidad&#195;&#163;os

do Afeganist&#195;&#163;o -homens ou mulheres- t&#195;&#170;m direitos e deveres iguais

perante a lei.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;De acordo com os pr&#195;&#179;prios afeg&#195;&#163;os, entretanto, e

para muitos assistentes sociais que conhecem bem o pa&#195;&#173;s, esses avan&#195;&#167;os

freq&#195;&#188;entemente n&#195;&#163;o passam de sonhos ministeriais. Muitas meninas em

idade escolar n&#195;&#163;o est&#195;&#163;o na escola; 85% da popula&#195;&#167;&#195;&#163;o feminina &#195;&#169;

analfabeta (mas tamb&#195;&#169;m 71% da popula&#195;&#167;&#195;&#163;o &#195;&#169; analfabeta) e 1.600 mulheres

em cada 100.000 (1,6%) morrem de parto, comparadas com 12 nos EUA

(0,012%).&lt;br&gt;&lt;br&gt;Assassinatos de honra s&#195;&#163;o comuns, casamento de

crian&#195;&#167;as ainda mais. No ver&#195;&#163;o passado, conheci um produtor de papoula

em Helmand que me disse que tinha acabado de vender uma de suas filhas,

de 9 anos, para casar-se com um traficante de &#195;&#179;pio. Ele n&#195;&#163;o revelou

quanto ia receber, e disse que n&#195;&#163;o podia alimentar as meninas. A tarifa

atual para uma menina saud&#195;&#161;vel &#195;&#169; em torno de US$ 3.000 (em torno de R$

6.600), ou mais, se vier de uma fam&#195;&#173;lia rica.&lt;br&gt;&lt;br&gt;De acordo com

agentes de desenvolvimento no Afeganist&#195;&#163;o, o novo Minist&#195;&#169;rio de

Assuntos da Mulher recebe pouco apoio em suas tentativas de mudar as

coisas. Tanto a ex-ministra Massouda Jalal quanto assistentes sociais

ocidentais dizem que ningu&#195;&#169;m no governo leva o minist&#195;&#169;rio a s&#195;&#169;rio.

&quot;Tivemos amea&#195;&#167;as de bomba. Mas n&#195;&#163;o temos carros blindados ou seguran&#195;&#167;a

adequada&quot;, disse Jalal no ver&#195;&#163;o passado. &quot;O governo paga nossos guardas

US$ 20 (aproximadamente R$ 44) por m&#195;&#170;s. Quem vai arriscar a vida por

US$ 20?&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Por outro lado, ocidentais que trabalharam dentro dos

minist&#195;&#169;rios afeg&#195;&#163;os dizem que os novos ministros s&#195;&#163;o mais dedicados a

tirar o m&#195;&#161;ximo de proveito para si mesmos e seus acompanhantes do que

cumprir seu servi&#195;&#167;o. O Minist&#195;&#169;rio de Assuntos da Mulher aparentemente

n&#195;&#163;o &#195;&#169; exce&#195;&#167;&#195;&#163;o: suas ocupantes definem &quot;oportunidade igual&quot; para seus

pr&#195;&#179;prios prop&#195;&#179;sitos. &quot;Elas acham: 'Finalmente as mulheres t&#195;&#170;m uma

chance de tamb&#195;&#169;m aproveitar um pouco'&quot;, diz um diplomata em Cabul.

&quot;Elas passam a maior parte do tempo em viagens ao exterior. N&#195;&#163;o

conseguem resolver nada enquanto est&#195;&#163;o viajando para os EUA e para a

Austr&#195;&#161;lia o tempo todo.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Enquanto isso, a seguran&#195;&#167;a continua uma

grande preocupa&#195;&#167;&#195;&#163;o entre as mulheres trabalhadoras. Jamila Niazi &#195;&#169;

diretora da principal escola em Lashkagar, capital da prov&#195;&#173;ncia de

Helmand, que atende 6.000 meninas e 2.000 meninos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;&#195;€s 9h da

manh&#195;&#163; de hoje eu tive outra amea&#195;&#167;a contra minha vida&quot;, ela me contou no

final do ano passado. &quot;Um homem veio &#195;&#160; escola e disse que queria

conversar comigo. Meu guarda-costas encontrou uma arma escondida em

suas roupas, e o homem fugiu.&quot; Jamila, que ganha US$ 50 por m&#195;&#170;s, teve

v&#195;&#161;rias amea&#195;&#167;as &#195;&#160; sua vida somente neste ano, tudo porque est&#195;&#161; educando

meninas.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Ao caminhar pelas ruas, o visitante v&#195;&#170; que a

emancipa&#195;&#167;&#195;&#163;o estilo ocidental est&#195;&#161; bem distante. H&#195;&#161; poucas mulheres nas

ruas das cidades afeg&#195;&#163;s. Apesar de nem todas as mulheres usarem burca

em Cabul, todas cobrem a cabe&#195;&#167;a em p&#195;&#186;blico. Todas dizem que a lei exige.&lt;br&gt;&lt;br&gt;De

fato, a constitui&#195;&#167;&#195;&#163;o e a lei n&#195;&#163;o exigem nada desse tipo -a constitui&#195;&#167;&#195;&#163;o

meramente afirma que as leis n&#195;&#163;o devem &quot;ser contr&#195;&#161;rias &#195;&#160;s cren&#195;&#167;as e

condi&#195;&#167;&#195;&#181;es&quot; do isl&#195;&#163;- mas o governo &quot;pediu&quot; &#195;&#160;s mulheres que cobrissem

suas cabe&#195;&#167;as.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Gra&#195;&#167;as &#195;&#160;s guerras intermin&#195;&#161;veis no Afeganist&#195;&#163;o, h&#195;&#161;

2 milh&#195;&#181;es de vi&#195;&#186;vas no pa&#195;&#173;s. Ainda assim a maior parte dos afeg&#195;&#163;os

acredita que &#195;&#169; ilegal mulheres viverem sozinhas. Assim como as cabe&#195;&#167;as

descobertas, a verdade &#195;&#169; que n&#195;&#163;o &#195;&#169; ilegal - mas quase imposs&#195;&#173;vel.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Habiba

Danish, 26, &#195;&#169; uma das mais jovens parlamentares. Ela foi entregue em

casamento aos 18 anos, ainda estudante, por seu pai, propriet&#195;&#161;rio de

terras e juiz, para ser a segunda esposa de um senhor de guerra em

Tahar. Alta e bela, com cabelos negros e longos e pele clara, tra&#195;&#167;os

valorizados pela alta classe afeg&#195;&#163;, Habiba ficou vi&#195;&#186;va ap&#195;&#179;s 38 dias,

quando seu marido foi assassinado por seus rivais.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Todo mundo

quer encontrar seu pr&#195;&#179;prio marido e se apaixonar&quot;, diz Habiba, na sala

de estar acarpetada de sua pequena casa em Cabul. &quot;Mas meu pai me disse

que cortaria minha garganta se eu falasse com um rapaz. Eu n&#195;&#163;o vi meu

marido at&#195;&#169; o dia do meu casamento.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Habiba vive cercada por

v&#195;&#161;rios parentes homens, mas d&#195;&#161; para perceber que a din&#195;&#162;mica tradicional

entre eles est&#195;&#161; mudando. Seus irm&#195;&#163;os a obedecem - nos deixam a s&#195;&#179;s para

conversar na sala e trazem o carro para lev&#195;&#161;-la ao parlamento. Como ela

diz, n&#195;&#163;o &#195;&#169; s&#195;&#179; que ela &#195;&#169; &quot;uma mulher rica, com terras e cavalos&quot;. Seus

irm&#195;&#163;os tamb&#195;&#169;m s&#195;&#163;o ricos. A diferen&#195;&#167;a &#195;&#169; que sua posi&#195;&#167;&#195;&#163;o no parlamento

parece, por enquanto, superar a deles de homens.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&#195;&#137; claro que

enfrentam os problemas que as mulheres emancipadas enfrentam em toda

parte, problemas que Habiba e suas colegas no parlamento est&#195;&#163;o

come&#195;&#167;ando a descobrir - lidar com o trabalho e o cuidado das crian&#195;&#167;as,

encontrar um parceiro que n&#195;&#163;o seja inibido por uma mulher forte e bem

sucedida.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Decidi casar-me novamente, mas n&#195;&#163;o tive tempo de

encontrar algu&#195;&#169;m ainda&quot;, diz ela. &quot;Preciso de um marido que possa me

apoiar no meu trabalho, me ajudar com minhas obriga&#195;&#167;&#195;&#181;es. Preciso de uma

pessoa que possa ir comigo &#195;&#160;s aldeias. Preciso de uma esposa&quot;, ela ri.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Um

dos amigos da fam&#195;&#173;lia - solteiro, 30, que precisa desesperadamente de

uma esposa - fica abismado quando pergunto se gostaria de se casar com

ela.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;Claro que n&#195;&#163;o, ela &#195;&#169; vi&#195;&#186;va!&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&quot;E qual &#195;&#169; o problema? Ela &#195;&#169; bela, tem um bom emprego, muito dinheiro.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Encabulado, ele diz: &quot;Bem... eu queria uma virgem.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Ainda

assim, no geral, a posi&#195;&#167;&#195;&#163;o da mulher &#195;&#169; muito melhor do que era h&#195;&#161; cinco

anos. Atualmente n&#195;&#163;o se arranca as unhas das mulheres que usam esmalte.

Elas -ao menos na classe m&#195;&#169;dia- podem pensar em arrumar emprego,

exceto, &#195;&#169; claro, nas regi&#195;&#181;es dominadas por isl&#195;&#162;micos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Ceri Hayes

da Womankind Worldwide e Anne Johnson da Afghanaid querem deixar claro

para mim que as afeg&#195;&#163;s est&#195;&#163;o desesperadas por independ&#195;&#170;ncia. &quot;Nossas

parceiras nos dizem: 'Por favor, diga &#195;&#160; m&#195;&#173;dia ocidental que n&#195;&#163;o somos

mulheres oprimidas de burca'&quot;, diz Hayes. &quot;Elas t&#195;&#170;m vis&#195;&#163;o muito clara

sobre o futuro do pa&#195;&#173;s, sobre como reconstruir suas comunidades e

forjar elos entre diferentes cl&#195;&#163;s.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;Azarbaijani-Moghaddam tem

origem iraniana mas fala dari fluentemente e pode se passar por afeg&#195;&#163;.

Ela acha que o problema &#195;&#169; mais profundo do que as guerras, a religi&#195;&#163;o

ou a lei. &quot;Est&#195;&#161; profundamente arraigado na cultura di&#195;&#161;ria, para os dois

sexos. Muitas mulheres se sentem nuas sem o hijab. Elas t&#195;&#170;m pavor das

conseq&#195;&#188;&#195;&#170;ncias. Temos muitas pessoas trabalhando em programas de

conscientiza&#195;&#167;&#195;&#163;o de discrimina&#195;&#167;&#195;&#163;o sexual, mas elas mal tocam nesses

comportamentos.&quot;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;1&quot;&gt;Charlotte Eagar escreve para o The Evening Standard&lt;/font&gt;

&lt;br&gt;&lt;br&gt;

&lt;span id=&quot;v10nb&quot;&gt;&lt;b&gt;Tradu&#195;&#167;&#195;&#163;o:&lt;/b&gt; Deborah Weinberg&lt;/span&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Pol&#195;&#173;tica &#195;&#160; brasileira</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/110076/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:110076</id>
	    <issued>2007-02-02T14:18:35Z</issued>
	    <modified>2007-02-02T14:18:35Z</modified>
	    <created>2007-02-02T14:18:35Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<DIV class=documentSecao>Seu PaÃ­s</DIV>
<h2 class=documentFirstHeading>PolÃ­tica Ã  brasileira</h2>
<DIV>
<DIV class=documentByLine><SPAN>por Leandro Fortes</SPAN> </DIV></DIV>
<P class=documentDescription>Velhos hÃ¡bitos afloram na disputa pela presidÃªncia da CÃ¢mara</P>
<DIV class=newsImageContainer><A&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;DIV class=documentSecao&gt;Seu Pa&#195;&#173;s&lt;/DIV&gt;

&lt;h2 class=documentFirstHeading&gt;Pol&#195;&#173;tica &#195;&#160; brasileira&lt;/h2&gt;

&lt;DIV&gt;

&lt;DIV class=documentByLine&gt;&lt;SPAN&gt;por Leandro Fortes&lt;/SPAN&gt; &lt;/DIV&gt;&lt;/DIV&gt;

&lt;P class=documentDescription&gt;Velhos h&#195;&#161;bitos afloram na disputa pela presid&#195;&#170;ncia da C&#195;&#162;mara&lt;/P&gt;

&lt;DIV class=newsImageContainer&gt;&lt;A title=&quot;&lt;strong&gt;Comemorar o qu&#195;&#170;?.&lt;strong&gt; Os aliados v&#195;&#163;o cobrar caro pelo apoio ao petista&lt;br /&gt; (Wilson Dias/ABr)&quot; href=&quot;http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2007/02/430/politica-a-brasileira/image&quot; rel=lightbox&gt;&lt;IMG class=newsImage title=&quot;Comemorar o qu&#195;&#170;?&quot; height=149 alt=&quot;Comemorar o qu&#195;&#170;?&quot; src=&quot;http://www.cartacapital.com.br/banco_imagens/seupais4301.jpg/image_mini&quot; width=200&gt;&lt;FONT color=#9c0808&gt; &lt;/FONT&gt;&lt;/A&gt;&lt;/DIV&gt;

&lt;DIV class=plain&gt;

&lt;P&gt;&lt;FONT color=#9c0808&gt;&lt;/FONT&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;B&gt;Eleito presidente da C&#195;&#162;mara, &lt;/B&gt;em segundo turno, na quinta-feira 1&#194;&#186;, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) manteve a tradi&#195;&#167;&#195;&#163;o ret&#195;&#179;rica da ocasi&#195;&#163;o ao cumprimentar os advers&#195;&#161;rios Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) e conclamar todos ao trabalho duro e democr&#195;&#161;tico. Tamb&#195;&#169;m usou o r&#195;&#161;pido discurso de vencedor para enveredar-se por um paradoxo t&#195;&#173;pico do jeito de fazer pol&#195;&#173;tica no Brasil. Ao agrado da plat&#195;&#169;ia, disse que iria trabalhar &#226;€&#156;para recuperar a autoridade&#226;€&#157; da Casa. Pouco antes da vota&#195;&#167;&#195;&#163;o, falava em &#226;€&#156;n&#195;&#163;o assistir passivamente aos ataques injustos &#195;&#160; institui&#195;&#167;&#195;&#163;o e a um parlamentar&#226;€&#157;. Entronizado, capitulou, finalmente, &#195;&#160; tese de que nunca houve Legislatura pior do que a encerrada naquele dia. &lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;B&gt;No Senado Federal,&lt;/B&gt; Renan Calheiros, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso e ex-l&#195;&#173;der de Fernando Collor na C&#195;&#162;mara, foi reeleito presidente com o apoio do PT e do presidente Luiz In&#195;&#161;cio Lula da Silva. Tamb&#195;&#169;m posou de escaldado pela onda de esc&#195;&#162;ndalos da Legislatura passada. Por isso, garantiram os correligion&#195;&#161;rios, optou por uma campanha discreta, sem outdoors ou banners, livre de ostenta&#195;&#167;&#195;&#181;es materiais. Assim como Chinaglia, agregou para si um tipo de hipocrisia comum aos parlamentares brasileiros. Uma rea&#195;&#167;&#195;&#163;o, no dizer do escritor americano Norman Mailer, &#226;€&#156;cheia de indigna&#195;&#167;&#195;&#163;o moral e, tamb&#195;&#169;m, de vacuidade moral&#226;€&#157;.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;A C&#195;&#162;mara que Chinaglia vai comandar ainda &#195;&#169; o mesmo vespeiro pol&#195;&#173;tico que promovia &#226;€&#156;trens da alegria&#226;€&#157; durante a ditadura militar, &#226;€&#156;an&#195;&#181;es do Or&#195;&#167;amento&#226;€&#157;, no in&#195;&#173;cio dos anos 1990 e, na era FHC, serviu de balc&#195;&#163;o de compra de votos para a reelei&#195;&#167;&#195;&#163;o. Sem falar nos sanguessugas do &#195;&#186;ltimo mandato. O mesmo vale para o Senado, novamente presidido por Renan. Em alguns casos, esc&#195;&#162;ndalos e protagonistas ainda s&#195;&#163;o os mesmos. O fato de os eleitos se alinharem, de imediato, a uma tese difundida em un&#195;&#173;ssono pela oposi&#195;&#167;&#195;&#163;o e por articulistas dos grandes jornais revela um bocado sobre a cultura pol&#195;&#173;tica tupiniquim.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Embora a elei&#195;&#167;&#195;&#163;o no Senado tenha sido relativamente acirrada, foi na C&#195;&#162;mara que o jeitinho brasileiro de fazer pol&#195;&#173;tica se fez mais presente. At&#195;&#169; o surgimento da candidatura de Gustavo Fruet, os deputados Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo disputavam, na pr&#195;&#161;tica, quem seria mais leal ao presidente Lula. Ningu&#195;&#169;m falava em &#226;€&#156;recuperar a autoridade&#226;€&#157; da Casa. Mas, apesar de advertidos pelos pares, pela imprensa e, provavelmente, pelos motoristas e ascensoristas do Congresso Nacional, a dupla insistiu na divis&#195;&#163;o da base governista, exatamente como fez o PT, em 2005. Na &#195;&#169;poca, os petistas Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e Virg&#195;&#173;lio Guimar&#195;&#163;es (MG) ensaiaram uma sinistra disputa palaciana, enquanto, no baixo clero, um t&#195;&#173;pico vil&#195;&#163;o do Brasil profundo, Severino Cavalcante, aproveitava a contenda para usurpar o trono petista.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Nesse esbo&#195;&#167;o de &#195;&#179;pera-bufa, Aldo era o preferido do presidente Lula porque se manteve fiel ao governo mesmo quando, ministro das Rela&#195;&#167;&#195;&#181;es Institucionais, era fustigado noite e dia pelo ent&#195;&#163;o chefe da Casa Civil, o deputado cassado Jos&#195;&#169; Dirceu. Que, inclusive, conta com Chinaglia, agora, para lutar por uma anistia pol&#195;&#173;tica, a vir como proposta de iniciativa popular. &lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Com a queda de Severino, em 2006, acusado de receber propinas de um concession&#195;&#161;rio de restaurantes da C&#195;&#162;mara, Aldo imp&#195;&#180;s-se como o mocinho do momento. Disputou, voto a voto, contra Thomaz Non&#195;&#180;, do PFL de Alagoas, o direito de comandar a Casa. A imagem do comunista de 50 anos e cinco mandatos &#195;&#160; espera da contagem dos votos, com os m&#195;&#186;sculos do rosto contra&#195;&#173;dos, mas sem sinais de emo&#195;&#167;&#195;&#163;o, virou uma marca dessa transi&#195;&#167;&#195;&#163;o.&lt;/P&gt;&lt;/DIV&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>O p&#195;&#186;blico e o privado</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/109299/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:109299</id>
	    <issued>2007-02-01T06:11:28Z</issued>
	    <modified>2007-02-01T06:11:28Z</modified>
	    <created>2007-02-01T06:11:28Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<h2 class=documentFirstHeading>O pÃºblico e o privado</h2>
<DIV>
<DIV class=documentByLine><SPAN>por <A href="http://www.cartacapital.com.br/author/beluzzo"><FONT color=#9c0808>Luiz Gonzaga Belluzzo</FONT></A></SPAN> </DIV></DIV>
<P class=documentDescription>O individualismo do cidadÃ£o remediado Ã© tÃ£o&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;h2 class=documentFirstHeading&gt;O p&#195;&#186;blico e o privado&lt;/h2&gt;

&lt;DIV&gt;

&lt;DIV class=documentByLine&gt;&lt;SPAN&gt;por &lt;A href=&quot;http://www.cartacapital.com.br/author/beluzzo&quot;&gt;&lt;FONT color=#9c0808&gt;Luiz Gonzaga Belluzzo&lt;/FONT&gt;&lt;/A&gt;&lt;/SPAN&gt; &lt;/DIV&gt;&lt;/DIV&gt;

&lt;P class=documentDescription&gt;O individualismo do cidad&#195;&#163;o remediado &#195;&#169; t&#195;&#163;o visceral, t&#195;&#163;o patol&#195;&#179;gico e t&#195;&#163;o tragicamente c&#195;&#180;mico que &#195;&#169; tamb&#195;&#169;m essencial para uma sociedade baseada na &#226;€&#156;lei do mais forte&#226;€&#157;&lt;/P&gt;

&lt;DIV class=newsImageContainer&gt;&lt;IMG class=newsImage height=100 alt=&quot;&quot; src=&quot;http://www.cartacapital.com.br/portal_memberdata/portraits/beluzzo&quot; width=75&gt; 

&lt;P class=discreet&gt;Luiz Gonzaga Belluzzo&lt;/P&gt;&lt;/DIV&gt;

&lt;DIV class=plain&gt;

&lt;P&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;B&gt;O desabamento &lt;/B&gt;da esta&#195;&#167;&#195;&#163;o Pinheiros da Linha 4 do Metr&#195;&#180; foi um painel de desgra&#195;&#167;as: narra os percal&#195;&#167;os da vida contempor&#195;&#162;nea no Brasil brasileiro. O desastre vai al&#195;&#169;m das intermin&#195;&#161;veis discuss&#195;&#181;es sobre a qualidade das avalia&#195;&#167;&#195;&#181;es geol&#195;&#179;gicas ou desencontros sobre a propriedade (ou impropriedade) das t&#195;&#169;cnicas de escava&#195;&#167;&#195;&#163;o de t&#195;&#186;neis. O povo de S&#195;&#163;o Paulo de Piratininga presenciou uma trag&#195;&#169;dia humana, urban&#195;&#173;stica, social e midi&#195;&#161;tica.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Primeiro o &#195;&#179;bvio: nas &#195;&#186;ltimas d&#195;&#169;cadas, consolidou-se, entre as camadas dominantes e bem-pensantes, a convic&#195;&#167;&#195;&#163;o de que a vida coletiva e os riscos dos cidad&#195;&#163;os podem ser resguardados ou administrados pelos crit&#195;&#169;rios do lucro privado. Saiba o leitor que n&#195;&#163;o embarco na mar&#195;&#169; acusat&#195;&#179;ria fomentada pela m&#195;&#173;dia do espet&#195;&#161;culo macabro. Nem mesmo pretendo descartar a possibilidade de rela&#195;&#167;&#195;&#181;es virtuosas entre o Estado e o Mercado. Muito ao contr&#195;&#161;rio: julgo que o per&#195;&#173;odo glorioso da vida social e do progresso econ&#195;&#180;mico deve seu desempenho &#195;&#160;s articula&#195;&#167;&#195;&#181;es que, na segunda metade do s&#195;&#169;culo XX, enla&#195;&#167;aram o p&#195;&#186;blico e o privado.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Cuido aqui de um processo de deforma&#195;&#167;&#195;&#163;o do imagin&#195;&#161;rio social estimulado pelos mesmos que se valem da trag&#195;&#169;dia para endurecer o indicador ou produzir fact&#195;&#179;ides e inventar personagens. H&#195;&#161; quem diga que o lucro &#195;&#169; a conquista suprema da ra&#195;&#167;a humana e tudo o que existe ou est&#195;&#161; para existir deve se submeter &#195;&#160;s normas do ganho monet&#195;&#161;rio. Alguns brasileiros, da classe m&#195;&#169;dia para cima, v&#195;&#170;m tentando transformar esse axioma em orienta&#195;&#167;&#195;&#163;o para a vida pr&#195;&#161;tica. N&#195;&#163;o &#195;&#169; de hoje que tentam safar a on&#195;&#167;a entregando a sua sa&#195;&#186;de e a de seus filhos &#195;&#160; iniciativa dos privados. N&#195;&#163;o apenas a sa&#195;&#186;de, mas tamb&#195;&#169;m a educa&#195;&#167;&#195;&#163;o, a seguran&#195;&#167;a, a aposentadoria etc.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;B&gt;&#195;&#137; claro que o rep&#195;&#186;dio&lt;/B&gt; dessa gente &#195;&#160; sa&#195;&#186;de p&#195;&#186;blica, &#195;&#160; escola p&#195;&#186;blica, &#195;&#160; seguran&#195;&#167;a p&#195;&#186;blica &#195;&#169; um gesto de diferencia&#195;&#167;&#195;&#163;o, de distin&#195;&#167;&#195;&#163;o em rela&#195;&#167;&#195;&#163;o aos de baixo, uma esp&#195;&#169;cie de grife que os identifica como consumidores de bom gosto em oposi&#195;&#167;&#195;&#163;o &#195;&#160; rafam&#195;&#169;ia vestida em andrajos. A grande vantagem dessa atitude &#195;&#169; que, de quebra, fica justificado o descumprimento das obriga&#195;&#167;&#195;&#181;es coletivas &#226;€&#147; desde o estacionamento em lugar proibido at&#195;&#169; a esperteza de furar filas e trafegar pelo acostamento &#226;€&#147;, ensejando uma esp&#195;&#169;cie de anarquismo de remediados. H&#195;&#161; fortes evid&#195;&#170;ncias, neste momento, de que, salvo para os de cima &#226;€&#147; descontados os desabamentos de t&#195;&#186;neis &#226;€&#147;, a experi&#195;&#170;ncia foi desastrosa.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;Quando entro em tais considera&#195;&#167;&#195;&#181;es, os amigos me censuram: &#226;€&#156;Mas voc&#195;&#170; &#195;&#169; da classe m&#195;&#169;dia&#226;€&#157;. Respondo: &#226;€&#156;Com muita honra&#226;€&#157;. Mas emendo de primeira: &#226;€&#156;N&#195;&#163;o sei por quanto tempo&#226;€&#157;. A verdade &#195;&#169; que, de uns tempos a esta parte, a chamada classe m&#195;&#169;dia precipita-se ladeira abaixo. &#195;&#137; claro que alguns ainda conseguem se agarrar &#195;&#160; nave espacial dos mais ricos, que decola c&#195;&#169;lere em dire&#195;&#167;&#195;&#163;o &#195;&#160; economia moderna e globalizada. Mas esses s&#195;&#163;o cidad&#195;&#163;os do mundo e s&#195;&#179; fazem c&#195;&#161;lculos em d&#195;&#179;lares porque n&#195;&#163;o acreditam, de fato, que o real seja uma moeda forte.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt; &lt;B&gt;A coisa degringolou.&lt;/B&gt; Os que continuam acreditando nesta balela contam os tost&#195;&#181;es para pagar d&#195;&#173;vidas, t&#195;&#170;m pesadelos com o desemprego ou fecham os seus neg&#195;&#179;cios porque o faturamento mergulha em parafuso. A situa&#195;&#167;&#195;&#163;o mais dram&#195;&#161;tica &#195;&#169; a dos desempregados que, sonhando em ser patr&#195;&#181;es de si mesmos, n&#195;&#163;o encontram um Estado capaz de construir um ambiente de neg&#195;&#179;cios prop&#195;&#173;cio ao bom desempenho dos novos empreendimentos. &lt;/P&gt;

&lt;P&gt; Mas os mitos em que aprendeu a acreditar impedem o cidad&#195;&#163;o remediado de avaliar as verdadeiras raz&#195;&#181;es de suas decep&#195;&#167;&#195;&#181;es. Para ele, o indiv&#195;&#173;duo &#195;&#169; o &#195;&#186;nico respons&#195;&#161;vel por suas desditas. Se quebrou a cara, &#195;&#169; porque n&#195;&#163;o teve compet&#195;&#170;ncia para fazer melhor, n&#195;&#163;o soube vencer os competidores nem ultrapassar as suas circunst&#195;&#162;ncias. O seu individualismo &#195;&#169; t&#195;&#163;o visceral, t&#195;&#163;o patol&#195;&#179;gico e t&#195;&#163;o tragicamente c&#195;&#180;mico que &#195;&#169; tamb&#195;&#169;m essencial para a reprodu&#195;&#167;&#195;&#163;o de uma sociedade que funda a sua justifica&#195;&#167;&#195;&#163;o moral na &#226;€&#156;sobreviv&#195;&#170;ncia do mais forte&#226;€&#157;.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt; Sobrevivem realmente os mais fortes, mas os mais fortes s&#195;&#163;o mais fortes h&#195;&#161; muito tempo e o resultado da luta competitiva s&#195;&#179; pode ser a dizima&#195;&#167;&#195;&#163;o dos incautos que se julgavam aptos a concorrer. &#195;&#137; verdade que alguns conseguem se agarrar &#195;&#160; espa&#195;&#167;onave que arranca em alta velocidade. Mas a maioria &#195;&#169; tragada pelos buracos da vida.&lt;/P&gt;Os planos de sa&#195;&#186;de, a escola privada, esses pesadelos n&#195;&#163;o foram ainda suficientes para ensinar &#195;&#160;s vitimas do individualismo as li&#195;&#167;&#195;&#181;es da vida. Faltam ainda os ensinamentos da previd&#195;&#170;ncia privada. Mas eles n&#195;&#163;o tardar&#195;&#163;o. Assim, desde as crian&#195;&#167;as at&#195;&#169; os velhos, passando pelos de idade adulta, todos poder&#195;&#163;o provar das del&#195;&#173;cias do privatismo. &lt;/DIV&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Isl&#195;&#163;</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/90362/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:90362</id>
	    <issued>2006-12-25T14:01:26Z</issued>
	    <modified>2006-12-25T14:01:26Z</modified>
	    <created>2006-12-25T14:01:26Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<SPAN class=ft1><A onclick="TamFonte(1, 'corpo')" href="http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/so_no_site_entrevista_aslan.asp#"><IMG style="MARGIN: -6px 16px 5px 455px" height=18 src="http://carosamigos.terra.com.br/nova/graficos/apq.gif" width=18></A></SPAN> <SPAN class=ft2><A onclick="TamFonte(2, 'corpo')" href="http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/so_no_site_entrevista_aslan.asp#"><IMG style="MARGIN: -6px&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;SPAN class=ft1&gt;&lt;A onclick=&quot;TamFonte(1, 'corpo')&quot; href=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/so_no_site_entrevista_aslan.asp#&quot;&gt;&lt;IMG style=&quot;MARGIN: -6px 16px 5px 455px&quot; height=18 src=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/graficos/apq.gif&quot; width=18&gt;&lt;/A&gt;&lt;/SPAN&gt; &lt;SPAN class=ft2&gt;&lt;A onclick=&quot;TamFonte(2, 'corpo')&quot; href=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/so_no_site_entrevista_aslan.asp#&quot;&gt;&lt;IMG style=&quot;MARGIN: -6px 16px 5px 0px&quot; height=18 src=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/graficos/amd.gif&quot; width=18&gt;&lt;/A&gt;&lt;/SPAN&gt; &lt;SPAN class=ft3&gt;&lt;A onclick=&quot;TamFonte(3, 'corpo')&quot; href=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/so_no_site_entrevista_aslan.asp#&quot;&gt;&lt;IMG style=&quot;FLOAT: none; MARGIN: -6px 0px 5px&quot; height=25 src=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/graficos/agd2.gif&quot; width=18&gt;&lt;/A&gt;&lt;/SPAN&gt; 

&lt;DIV id=corpo&gt;

&lt;P&gt;&lt;IMG height=150 alt=Entrevista src=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed117/graficos/reza_aslan.jpg&quot; width=160&gt;&lt;/P&gt;

&lt;H3&gt;O Isl&#195;&#163; tal como &#195;&#169; &lt;/H3&gt;

&lt;P&gt;&lt;IMG height=8 src=&quot;http://carosamigos.terra.com.br/nova/graficos/fio_hor.gif&quot; width=548&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P align=right&gt;por&lt;STRONG&gt; Daniel Lopes&lt;/STRONG&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt; &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;As escolhas para quem quer ler um livro sobre o isl&#195;&#163; fundamentalista, terrorista, mis&#195;&#179;gino, s&#195;&#163;o muitas, infinitas. Se voc&#195;&#170; procura uma vis&#195;&#163;o da religi&#195;&#163;o fundada por Maom&#195;&#169; que v&#195;&#161; contra a ideologia do &#226;€&#156;choque de civiliza&#195;&#167;&#195;&#181;es&#226;€&#157;, ter&#195;&#161; que se esfor&#195;&#167;ar um pouco mais na busca, mas quando encontrar e ler &lt;EM&gt;No god but God &#226;€&#147; the origins, evolution and future of Islam&lt;/EM&gt;, &#195;&#169; prov&#195;&#161;vel que a obra, lan&#195;&#167;ada ano passado, lhe baste.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Escrito pelo pesquisador Reza Aslan &#226;€&#147; iraniano desde 1979 radicado nos Estados Unidos, onde conseguiu um bacharelado e dois mestrados, um deles em Estudos Teol&#195;&#179;gicos pela Universidade de Harvard &#226;€&#147; o livro (recentemente lan&#195;&#167;ado em &lt;EM&gt;paperback&lt;/EM&gt; pela Arrow Books) tra&#195;&#167;a um alentado percurso pelos caminhos a que se prop&#195;&#181;e no subt&#195;&#173;tulo. &#195;&#137; uma escrita de rara beleza em uma obra de n&#195;&#163;o-fic&#195;&#167;&#195;&#163;o, e, nos v&#195;&#161;rios momentos em que lida com reconstitui&#195;&#167;&#195;&#181;es de acontecimentos hist&#195;&#179;ricos, a qualidade &#195;&#169; nada menos que liter&#195;&#161;ria. O que, junto com uma abrangente e respeit&#195;&#161;vel bibliografia de apoio, s&#195;&#179; ajuda na tarefa que o autor se prop&#195;&#180;s: desconstruir a vis&#195;&#163;o monol&#195;&#173;tica que grande parte dos ocidentais temos do mundo mu&#195;&#167;ulmano.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Em meio a uma corrida rotina &#226;€&#147; pesquisador na Universidade do Sul da Calif&#195;&#179;rnia, candidato a um doutorado em Hist&#195;&#179;ria das Religi&#195;&#181;es na Universidade da Calif&#195;&#179;rnia e colaborador de ve&#195;&#173;culos como &lt;EM&gt;New York Times&lt;/EM&gt;, &lt;EM&gt;Washington Post&lt;/EM&gt; e &lt;EM&gt;The Nation&lt;/EM&gt; &#226;€&#147; Aslan arrumou tempo para conceder por e-mail uma entrevista a &lt;EM&gt;Caros Amigos&lt;/EM&gt;, onde aborda temas como Ir&#195;&#163;, Israel, a condi&#195;&#167;&#195;&#163;o da mulher no mundo mu&#195;&#167;ulmano e o desenvolvimento da democracia no Oriente M&#195;&#169;dio.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Como &#195;&#169; ser um estudioso heterodoxo do Isl&#195;&#163; nos EUA de G. Bush?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;A administra&#195;&#167;&#195;&#163;o Bush alienou todo o mundo mu&#195;&#167;ulmano com sua beliger&#195;&#162;ncia e sua pol&#195;&#173;tica externa m&#195;&#173;ope. A maioria dos estadunidenses, independente de suas cren&#195;&#167;as religiosas, deu as costas a este presidente. Entretanto, n&#195;&#163;o h&#195;&#161; nenhum pa&#195;&#173;s no mundo &#226;€&#147; incluindo o mundo mu&#195;&#167;ulmano &#226;€&#147; no qual os mu&#195;&#167;ulmanos podem praticar sua f&#195;&#169; com mais liberdade e mais abertura do que nos EUA. Ali&#195;&#161;s, apesar da ret&#195;&#179;rica antiisl&#195;&#162;mica que freq&#195;&#188;entemente se revela em certos setores da sociedade estadunidense, os estadunidenses se orgulham de sua capacidade de inclus&#195;&#163;o e de seu pluralismo. Hoje, o Isl&#195;&#163; &#195;&#169; a religi&#195;&#163;o mais popular para se estudar nas universidades estadunidenses. &#195;&#137; importante entender que os mu&#195;&#167;ulmanos estadunidenses configuram a maior minoria religiosa nos EUA. H&#195;&#161; cerca de quatro milh&#195;&#181;es de mu&#195;&#167;ulmanos a mais do que judeus. Mais do que isso, os mu&#195;&#167;ulmanos estadunidenses est&#195;&#163;o completamente integrados em todos os n&#195;&#173;veis da sociedade. De modo que, nos Estados Unidos de George Bush, n&#195;&#163;o sinto qualquer rea&#195;&#167;&#195;&#163;o violenta contra mim enquanto universit&#195;&#161;rio e ativista mu&#195;&#167;ulmano-estadunidense. Pelo contr&#195;&#161;rio, s&#195;&#163;o pessoas como eu que t&#195;&#170;m desempenhado um importante papel na tentativa de fazer retroceder a onda de antiamericanismo no mundo mu&#195;&#167;ulmano.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Os conservadores diriam que liberais como voc&#195;&#170;, com pontos de vista tolerantes em rela&#195;&#167;&#195;&#163;o ao Isl&#195;&#163;, sempre tiveram um espa&#195;&#167;o predominante no campo de id&#195;&#169;ias (m&#195;&#173;dia e academia), o que eles dizem ter levado a uma subestima&#195;&#167;&#195;&#163;o do Isl&#195;&#163; radical e, em &#195;&#186;ltima inst&#195;&#162;ncia, ao 11 de Setembro. O ponto de vista heterodoxo do Isl&#195;&#163; &#195;&#169; predominante no debate estadunidense hoje?&lt;/STRONG&gt; &lt;BR&gt;Primeiro eu gostaria de dizer que o Isl&#195;&#163;, ao contr&#195;&#161;rio do Cristianismo, n&#195;&#163;o &#195;&#169; uma religi&#195;&#163;o de credo. E nem h&#195;&#161; algo como uma autoridade religiosa centralizada &#226;€&#147; um papa ou um Vaticano &#226;€&#147; no Isl&#195;&#163;, para definir o que &#195;&#169; e o que n&#195;&#163;o &#195;&#169; isl&#195;&#162;mico. Certamente existem muitas pessoas que &lt;EM&gt;pensam&lt;/EM&gt; falar pelos mu&#195;&#167;ulmanos de todo o mundo, mas elas n&#195;&#163;o t&#195;&#170;m autoridade pol&#195;&#173;tica ou religiosa sobre aquela que &#195;&#169; inquestionavelmente a mais diversa e ecl&#195;&#169;tica comunidade religiosa que o mundo j&#195;&#161; viu. Isso dito, simplesmente n&#195;&#163;o &#195;&#169; verdade que os chamados moderados ou liberais t&#195;&#170;m um espa&#195;&#167;o predominante na sociedade. Universidades n&#195;&#163;o s&#195;&#163;o um espa&#195;&#167;o predominante; muito pelo contr&#195;&#161;rio. Quanto &#195;&#160; m&#195;&#173;dia nos EUA, sua preocupa&#195;&#167;&#195;&#163;o priorit&#195;&#161;ria &#195;&#169; vender produtos, n&#195;&#163;o distribuir informa&#195;&#167;&#195;&#163;o. E n&#195;&#163;o &#195;&#169; modera&#195;&#167;&#195;&#163;o ou liberalismo que vende produto, mas sim viol&#195;&#170;ncia e medo. E &#195;&#169; isso que &#195;&#169; entregue pelos radicais e militantes que s&#195;&#163;o a maior parte das vozes mu&#195;&#167;ulmanas na TV estadunidense.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Nos primeiros cap&#195;&#173;tulos de &lt;EM&gt;Not god but God&lt;/EM&gt;, no meio de v&#195;&#161;rias informa&#195;&#167;&#195;&#181;es e est&#195;&#179;rias que nos s&#195;&#163;o contadas, uma se sobressai, aquela sobre como os ensinamentos de Maom&#195;&#169; foram desvirtuados por uma s&#195;&#169;rie de &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; dos chamados Companheiros, que voc&#195;&#170; identifica como &#226;€&#156;a primeira gera&#195;&#167;&#195;&#163;o de mu&#195;&#167;ulmanos&#226;€&#157;. De que maneira e por que esses homens deturparam as id&#195;&#169;ias de Maom&#195;&#169;?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;As &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; s&#195;&#163;o anedotas orais acerca do profeta Maom&#195;&#169; e seus primeiros companheiros. Elas foram transmitidas oralmente por centenas de anos antes de serem finalmente reunidas em duas ou tr&#195;&#170;s edi&#195;&#167;&#195;&#181;es confi&#195;&#161;veis. Atualmente existem centenas de milhares de &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; que dizem ter origem no profeta Maom&#195;&#169;, mas que na verdade foram fabricadas pelos sucessores do Profeta para legitimarem suas pr&#195;&#179;prias agendas sociais ou pol&#195;&#173;ticas. Na verdade, um grande n&#195;&#186;mero dessas &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; contradiz o Cor&#195;&#163;o, particularmente no que diz respeito ao tratamento dispensado &#195;&#160;s mulheres. Mas a raz&#195;&#163;o de elas serem t&#195;&#163;o poderosas &#195;&#169; que o Cor&#195;&#163;o, ao contr&#195;&#161;rio do Tor&#195;&#161; [&lt;EM&gt;livro&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;sagrado&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt; do &lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;Juda&#195;&#173;smo&lt;/EM&gt;], n&#195;&#163;o &#195;&#169; um livro de leis. Existem umas poucas passagens tratando de quest&#195;&#181;es legais, mas em sua maior parte o Cor&#195;&#163;o &#195;&#169; inadequado para responder &#195;&#160;s quest&#195;&#181;es que foram levantadas na &#195;&#169;poca em que o Isl&#195;&#163; se espalhou de uma pequena comunidade na Ar&#195;&#161;bia para ser o maior imp&#195;&#169;rio que o mundo tinha visto at&#195;&#169; ent&#195;&#163;o. Muitas &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; foram fabricadas para justificar a&#195;&#167;&#195;&#181;es e cren&#195;&#167;as que j&#195;&#161; eram inteiramente aceitas e para as quais n&#195;&#163;o havia uma resposta &#195;&#179;bvia no Cor&#195;&#163;o. Infelizmente, nos dias de hoje muitos mu&#195;&#167;ulmanos tradicionalistas parecem dar mais &#195;&#170;nfase a essas &lt;EM&gt;hadiths&lt;/EM&gt; que ao pr&#195;&#179;prio Cor&#195;&#163;o. Isso vai contra tudo o que o Profeta pregou.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Isso pode nos lembrar de alguma forma a famosa afirma&#195;&#167;&#195;&#163;o de Nietzsche no &lt;EM&gt;Anticristo&lt;/EM&gt;, de que &#226;€&#156;o Evangelho morreu na cruz&#226;€&#157; junto com Cristo. O autor aborda como Paulo distorceu ensinamentos de Jesus para avan&#195;&#167;ar sua pr&#195;&#179;pria agenda. Essa &#195;&#169; uma analogia correta?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;Sim, &#195;&#169;. N&#195;&#179;s temos uma tend&#195;&#170;ncia para pensar que profetas &#226;€&#156;inventam&#226;€&#157; religi&#195;&#181;es. Nada poderia estar mais longe da verdade. Profetas n&#195;&#163;o criam religi&#195;&#181;es. Profetas s&#195;&#163;o reformistas que reinterpretam o meio religioso, cultural, social, pol&#195;&#173;tico e mesmo econ&#195;&#180;mico em que vivem. Mois&#195;&#169;s n&#195;&#163;o inventou o Juda&#195;&#173;smo; ele reformou a religi&#195;&#163;o tribal israelita. Jesus n&#195;&#163;o inventou o Cristianismo; ele reformou o Juda&#195;&#173;smo. Buda reformou o hindu&#195;&#173;smo. E Maom&#195;&#169;, como ele pr&#195;&#179;prio admitiu, nunca criou uma nova religi&#195;&#163;o, mas meramente remodelou o Juda&#195;&#173;smo e o Cristianismo para os povos &#195;&#161;rabes, &#226;€&#156;um povo sem um livro&#226;€&#157;. Aos seguidores dos profetas &#195;&#169; que &#195;&#169; confiada a imposs&#195;&#173;vel tarefa de pegar as palavras e os feitos do profeta e, a partir deles, criar uma religi&#195;&#163;o unificada. E &#195;&#169; precisamente na institucionaliza&#195;&#167;&#195;&#163;o dessa ideologia que as id&#195;&#169;ias do profeta &#195;&#160;s vezes se perdem.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Seria correto afirmar que o Isl&#195;&#163; &#195;&#169; uma religi&#195;&#163;o na qual os seguidores t&#195;&#170;m um maior sentimento de grupo e de uni&#195;&#163;o, mais do que, digamos, nas outras duas grandes religi&#195;&#181;es monote&#195;&#173;stas?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;Desde o in&#195;&#173;cio, o Isl&#195;&#163; v&#195;&#170; a si mesmo como uma religi&#195;&#163;o comunal. Para explicar de uma maneira f&#195;&#161;cil: a comunidade &#195;&#169; a igreja no Isl&#195;&#163;. Ela &#195;&#169; a fonte de salva&#195;&#167;&#195;&#163;o. Parte disso tem a ver com as origens tribais do Isl&#195;&#163;. Mas mesmo quando o Isl&#195;&#163; se espalhou para al&#195;&#169;m do mundo &#195;&#161;rabe, ele tentou desesperadamente manter sua identidade comunal. Isso come&#195;&#167;ou a mudar durante o &#195;&#186;ltimo s&#195;&#169;culo, quando os mu&#195;&#167;ulmanos foram for&#195;&#167;ados a olhar a si mesmos menos como membros de uma comunidade de alcance global do que como cidad&#195;&#163;os de Estados-na&#195;&#167;&#195;&#163;o. E criou-se um inflado senso de individualismo que come&#195;&#167;ou a prejudicar essa f&#195;&#169; antes quintessencialmente universal. Ali&#195;&#161;s, essa fragmenta&#195;&#167;&#195;&#163;o geopol&#195;&#173;tica levou a um grande racha no mundo mu&#195;&#167;ulmano sobre quem possui a autoridade para definir a f&#195;&#169;: as institui&#195;&#167;&#195;&#181;es ou os indiv&#195;&#173;duos.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Ent&#195;&#163;o as &#195;&#186;ltimas a&#195;&#167;&#195;&#181;es israelenses no L&#195;&#173;bano n&#195;&#163;o ajudam muito na boa imagem de Israel no mundo mu&#195;&#167;ulmano, ajudam?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;Durante as duas &#195;&#186;ltimas d&#195;&#169;cadas Israel tem trabalhado energicamente para derrotar seus inimigos. Agora &#195;&#169; tempo de ele trabalhar melhor para fazer amigos. Se a tend&#195;&#170;ncia demogr&#195;&#161;fica de Israel/Palestina n&#195;&#163;o mudar, em cinq&#195;&#188;enta anos n&#195;&#163;o haver&#195;&#161; mais uma maioria judaica em Israel. As lideran&#195;&#167;as israelenses devem come&#195;&#167;ar a pensar sobre sua sobreviv&#195;&#170;ncia a longo prazo mais do que quaisquer ganhos ou perdas no curto prazo. H&#195;&#161; apenas uma maneira de Israel sobreviver no s&#195;&#169;culo 21: canalizar todas as suas energias e recursos para garantir que exista um Estado palestino est&#195;&#161;vel e pr&#195;&#179;spero, com muitos empregos, hospitais, livrarias e escolas. Isso &#195;&#169; t&#195;&#163;o importante para a sobreviv&#195;&#170;ncia de Israel que deveria ser sua prioridade. Apenas quando os palestinos estiverem bem vestidos, alimentados e abrigados, eles ir&#195;&#163;o parar de olhar Israel como um inimigo.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Voc&#195;&#170; &#195;&#169; um iraniano. Qual sua vis&#195;&#163;o do pa&#195;&#173;s natal hoje? &#195;&#137; ele todo esse amontoado de problemas que vemos nas not&#195;&#173;cias? Voc&#195;&#170; colocaria Mahmoud Ahmadinejad como um &#226;€&#156;acidente&#226;€&#157; ou como um personagem previs&#195;&#173;vel na cena iraniana?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;O Ir&#195;&#163; &#195;&#169; uma sociedade extremamente complexa: ao mesmo tempo moderna e tradicional, secular e religiosa. N&#195;&#163;o h&#195;&#161; nada de simplista ou monol&#195;&#173;tico acerca da sociedade ou do governo iranianos. Os iranianos s&#195;&#163;o ferozmente nacionalistas e, ainda que abominem seu governo, n&#195;&#163;o apoiariam nenhuma amea&#195;&#167;a &#195;&#160; sua soberania. Quase 70% dos iranianos t&#195;&#170;m menos de trinta anos de idade. Ent&#195;&#163;o &#195;&#169; inevit&#195;&#161;vel que o Ir&#195;&#163; segue no caminho para mais democracia e liberdade &#226;€&#147; se deixado em paz!&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Voc&#195;&#170; fala sobre deixar o Ir&#195;&#163; em paz se o desejamos mais democr&#195;&#161;tico. Voc&#195;&#170; pensa o mesmo de pa&#195;&#173;ses como Ar&#195;&#161;bia Saudita e S&#195;&#173;ria? Salameh Nematt, do jornal londrino em l&#195;&#173;ngua &#195;&#161;rabe &lt;EM&gt;Al-Hayat&lt;/EM&gt;, disse em 2004 numa entrevista &#195;&#160; &lt;EM&gt;Newsweek&lt;/EM&gt; que &#226;€&#156;a propaganda de que a democracia [&lt;EM&gt;no OrienteM&#195;&#169;dio&lt;/EM&gt;] deveria ter origem dom&#195;&#169;stica, e n&#195;&#163;o ser imposta de fora, &#195;&#169; uma piada&#226;€&#157;, e disse tamb&#195;&#169;m que as duas primeiras democracias que n&#195;&#179;s ir&#195;&#173;amos ter na regi&#195;&#163;o, Afeganist&#195;&#163;o e Iraque, s&#195;&#179; ocorreriam por conta da interven&#195;&#167;&#195;&#163;o dos EUA.&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;O Ir&#195;&#163; n&#195;&#163;o &#195;&#169; a Ar&#195;&#161;bia Saudita. Este pa&#195;&#173;s est&#195;&#161; apodrecido desde seu centro de poder e provavelmente entrar&#195;&#161; em colapso gra&#195;&#167;as &#195;&#160; sua pr&#195;&#179;pria corrup&#195;&#167;&#195;&#163;o, em vez de qualquer amea&#195;&#167;a externa. O Ir&#195;&#163; tamb&#195;&#169;m n&#195;&#163;o &#195;&#169; a S&#195;&#173;ria, que est&#195;&#161; sob um severo controle militar. O Ir&#195;&#163; tem um processo pol&#195;&#173;tico vivo, uma popula&#195;&#167;&#195;&#163;o politicamente ativa, uma imprensa vibrante e a maioria dos movimentos pelos direitos da mulher do mundo mu&#195;&#167;ulmano. Mas o isolamento do Ir&#195;&#163; da comunidade internacional arruinou completamente sua economia e fortaleceu a elite clerical n&#195;&#163;o-eleita. Os iranianos precisam de emprego, n&#195;&#163;o de uma interven&#195;&#167;&#195;&#163;o dos EUA. Apenas quando puderem alimentar suas fam&#195;&#173;lias eles ir&#195;&#163;o voltar seus esfor&#195;&#167;os para livrar o pa&#195;&#173;s desse odioso regime. &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Em seus textos lemos com freq&#195;&#188;&#195;&#170;ncia que a &#226;€&#156;exporta&#195;&#167;&#195;&#163;o da democracia&#226;€&#157; propagada pelos EUA est&#195;&#161; fadada ao fracasso, porque o conceito de democracia radicalmente secular n&#195;&#163;o agrada aos mu&#195;&#167;ulmanos. Que tipo de democracia o mundo mu&#195;&#167;ulmano teria a oferecer?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;Apenas nos EUA a democracia estadunidense &#195;&#169; poss&#195;&#173;vel; ela n&#195;&#163;o pode ser isolada das tradi&#195;&#167;&#195;&#181;es e valores estadunidenses. A democracia n&#195;&#163;o &#195;&#169; uma pe&#195;&#167;a &#195;&#186;nica que serve a todos. Ela n&#195;&#163;o pode ser importada; ela deve ser erguida de dentro de um pa&#195;&#173;s. O fato &#195;&#169; que a vasta maioria dos mais de um bilh&#195;&#163;o de mu&#195;&#167;ulmanos no mundo aceita os princ&#195;&#173;pios fundamentais da democracia. A maioria dos mu&#195;&#167;ulmanos adequam sem nenhum problema a linguagem da democracia aos termos isl&#195;&#162;micos. Ideais tais como representa&#195;&#167;&#195;&#163;o popular, participa&#195;&#167;&#195;&#163;o pol&#195;&#173;tica, sufr&#195;&#161;gio universal, constitucionalismo, presta&#195;&#167;&#195;&#163;o de contas do governo, pluralismo e direitos humanos s&#195;&#163;o amplamente aceitos no mundo mu&#195;&#167;ulmano. O que n&#195;&#163;o &#195;&#169; necessariamente aceito, entretanto, &#195;&#169; a distinta no&#195;&#167;&#195;&#163;o ocidental de que a religi&#195;&#163;o e o Estado devem ser inteiramente separados, de que o secularismo deve ser a base de uma sociedade democr&#195;&#161;tica. Mas uma chamada democracia isl&#195;&#162;mica n&#195;&#163;o est&#195;&#161; destinada a ser uma &#226;€&#156;teocracia&#226;€&#157;, e sim um sistema democr&#195;&#161;tico baseado numa estrutura moral isl&#195;&#162;mica, devotada a preservar ideais isl&#195;&#162;micos de pluralismo e direitos humanos, e aberto ao inevit&#195;&#161;vel processo de seculariza&#195;&#167;&#195;&#163;o pol&#195;&#173;tica. O Isl&#195;&#163; pode at&#195;&#169; esquivar-se do secularismo, mas n&#195;&#163;o h&#195;&#161; nada nos valores isl&#195;&#162;micos fundamentais que se oponha ao processo de seculariza&#195;&#167;&#195;&#163;o pol&#195;&#173;tica.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Voc&#195;&#170; tamb&#195;&#169;m costuma analisar os mu&#195;&#167;ulmanos moderados, liberais. Hoje, eles est&#195;&#163;o em condi&#195;&#167;&#195;&#181;es de se contrapor ao poder dos fundamentalistas? E como o Ocidente ajuda ou atrapalha o desenvolvimento de um Isl&#195;&#163; mais aberto?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;A chamada &#226;€&#156;Guerra ao Terrorismo&#226;€&#157; fortaleceu os jihadistas e os ajudou a espalhar a propaganda de que o Ocidente, e especialmente os EUA, est&#195;&#161; conduzindo outra cruzada contra o mundo mu&#195;&#167;ulmano. Claro, foi exatamente esse o prop&#195;&#179;sito dos ataques de 11 setembro de 2001. Por admiss&#195;&#163;o do pr&#195;&#179;prio Bin Laden, os ataques foram especificamente planejados para provocar os Estados Unidos a retaliarem exageradamente contra o mundo isl&#195;&#162;mico, de modo a mobilizar os mu&#195;&#167;ulmanos a, nas palavras de George W. Bush, &#226;€&#156;escolherem lados&#226;€&#157;. Infelizmente isso &#195;&#169; exatamente o que aconteceu, &#195;&#160; medida que mais e mais mu&#195;&#167;ulmanos se convencem &#226;€&#147; gra&#195;&#167;as ao Iraque, Guant&#195;&#161;namo, Abu Ghraib, etc. &#226;€&#147; de que a &#226;€&#156;Guerra ao Terror&#226;€&#157; &#195;&#169;, na verdade, uma guerra contra o Isl&#195;&#163;. Nesse tipo de ambiente, torna-se muito dif&#195;&#173;cil que vozes moderadas sejam ouvidas acima da cacofonia de viol&#195;&#170;ncia e extremismo.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Seu livro lida tamb&#195;&#169;m com o complexo tema do papel da mulher no Isl&#195;&#163;. Voc&#195;&#170; levanta uma curiosa hist&#195;&#179;ria acerca daquele que &#195;&#169; o s&#195;&#173;mbolo da opress&#195;&#163;o &#195;&#160; mulher, o v&#195;&#169;u. Conte um pouco sobre as origens do v&#195;&#169;u e como voc&#195;&#170; v&#195;&#170; o atual estado da mulher nas sociedades mu&#195;&#167;ulmanas.&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;Embora visto como o mais peculiar emblema do Isl&#195;&#163;, o v&#195;&#169;u, surpreendentemente, n&#195;&#163;o &#195;&#169; usado por mu&#195;&#167;ulmanas em nenhuma passagem do Cor&#195;&#163;o. A tradi&#195;&#167;&#195;&#163;o de p&#195;&#180;r v&#195;&#169;u e isolar (conhecidas conjuntamente como &lt;EM&gt;hijab&lt;/EM&gt;) foi introduzida na Ar&#195;&#161;bia muito antes de Maom&#195;&#169;, principalmente atrav&#195;&#169;s de contatos &#195;&#161;rabes com a S&#195;&#173;ria e o Ir&#195;&#163;, onde o &lt;EM&gt;hijab&lt;/EM&gt; era um sinal de status social. Afinal de contas, apenas a uma mulher que n&#195;&#163;o precisava trabalhar nos campos poderia ser permitida a perman&#195;&#170;ncia em isolamento e com o v&#195;&#169;u. Entre os mu&#195;&#167;ulmanos n&#195;&#163;o havia uma tradi&#195;&#167;&#195;&#163;o de se usar o v&#195;&#169;u at&#195;&#169; por volta de 627 D.C., quando o chamado &#226;€&#156;verso de &lt;EM&gt;hijab&lt;/EM&gt;&#226;€&#157; repentinamente desceu sobre a comunidade. Esse verso, entretanto, era destinado n&#195;&#163;o a todas as mulheres em geral, mas exclusivamente para as esposas de Maom&#195;&#169;: &#226;€&#156;Crentes, n&#195;&#163;o entrem na casa do Profeta... a menos que pedidos. E se forem convidados... n&#195;&#163;o se demorem. E quando forem perguntar algo &#195;&#160;s esposas do Profeta, o fa&#195;&#167;a por detr&#195;&#161;s de uma &lt;EM&gt;hijab&lt;/EM&gt;. Isso garantir&#195;&#161; a pureza de seus cora&#195;&#167;&#195;&#181;es bem como os delas&#226;€&#157; (33:53).&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&#195;&#137; dif&#195;&#173;cil dizer com certeza quando o v&#195;&#169;u foi adotado pelo resto da Ummah [&lt;EM&gt;comunidade&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt; formada &lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;por&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt; Maom&#195;&#169; e &lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;seus&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;primeiros&lt;/EM&gt;&lt;EM&gt;seguidores&lt;/EM&gt;], embora provavelmente tenha sido muito depois da morte de Maom&#195;&#169;. As mu&#195;&#167;ulmanas come&#195;&#167;aram a vestir o v&#195;&#169;u provavelmente como uma forma de emular as esposas do Profeta, que eram reverenciadas como &#226;€&#156;as M&#195;&#163;es da Ummah&#226;€&#157;. Mas o v&#195;&#169;u n&#195;&#163;o era nem obrigat&#195;&#179;rio nem, tampouco, inteiramente aceito at&#195;&#169; gera&#195;&#167;&#195;&#181;es ap&#195;&#179;s a morte de Maom&#195;&#169;, quando um grande n&#195;&#186;mero de eruditos respons&#195;&#161;veis pelas escrituras e pela autoridade legal come&#195;&#167;aram a usar sua autoridade religiosa e pol&#195;&#173;tica para retomar o dom&#195;&#173;nio que haviam perdido na sociedade em decorr&#195;&#170;ncia das reformas igualit&#195;&#161;rias do Profeta.&lt;BR&gt;Hoje, o v&#195;&#169;u &#195;&#169; tanto um s&#195;&#173;mbolo da &#226;€&#156;degrada&#195;&#167;&#195;&#163;o das mulheres&#226;€&#157; quanto um que significa a castidade feminina, devo&#195;&#167;&#195;&#163;o, e, mais do que tudo, um desafio &#195;&#160; imagem ocidental de mulher (dependendo a quem voc&#195;&#170; pergunta). Ambas as imagens s&#195;&#163;o enganosas e simplistas. O v&#195;&#169;u pode n&#195;&#163;o ser nada disso ou pode ser tudo isso, mas s&#195;&#163;o as mu&#195;&#167;ulmanas que t&#195;&#170;m de decidir por elas mesmas.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&lt;STRONG&gt;Qual &#195;&#169; o futuro do Isl&#195;&#163;?&lt;/STRONG&gt;&lt;BR&gt;O Isl&#195;&#163;, como todas as grandes religi&#195;&#181;es, est&#195;&#161; em constante estado de evolu&#195;&#167;&#195;&#163;o. Ele sempre est&#195;&#161; se adaptando a quaisquer situa&#195;&#167;&#195;&#181;es sociais, pol&#195;&#173;ticas ou econ&#195;&#180;micas em que se encontre. E continuar&#195;&#161; a ser assim. Acho que n&#195;&#179;s estamos vendo uma r&#195;&#161;pida individualiza&#195;&#167;&#195;&#163;o no mundo mu&#195;&#167;ulmano, particularmente entre mu&#195;&#167;ulmanos no Ocidente, que est&#195;&#161; fadada a ter um forte impacto no futuro da f&#195;&#169;. Ainda mais importante &#195;&#169; o papel das mulheres mu&#195;&#167;ulmanas em definirem elas mesmas o significado e a mensagem do Isl&#195;&#163;, ao inv&#195;&#169;s de dependerem dos eruditos. &#195;&#137; dif&#195;&#173;cil dizer o que acontecer&#195;&#161;. Mas a mar&#195;&#169; de reforma no Isl&#195;&#163; n&#195;&#163;o pode ser contida.&lt;/P&gt;

&lt;P&gt; &lt;/P&gt;&lt;/DIV&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>Desaviso</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/90359/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:90359</id>
	    <issued>2006-12-25T13:57:45Z</issued>
	    <modified>2006-12-25T13:57:45Z</modified>
	    <created>2006-12-25T13:57:45Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<H3>Desaviso</H3>
<P align=right><EM>Marilene Felinto</EM></P>
<P><STRONG>O homem mais alto do mundo e os homens mais gordos da televisÃ£o </STRONG></P>
<P align=justify>Numa sociedade regida por&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;H3&gt;Desaviso&lt;/H3&gt;

&lt;P align=right&gt;&lt;EM&gt;Marilene Felinto&lt;/EM&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;STRONG&gt;O homem mais alto do mundo e os homens mais gordos da televis&#195;&#163;o &lt;/STRONG&gt;&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Numa sociedade regida por princ&#195;&#173;pios quantitativos, o realismo num&#195;&#169;rico &#195;&#169; ferventado a todo instante pela m&#195;&#173;dia (para usar uma id&#195;&#169;ia do cr&#195;&#173;tico F&#195;&#161;bio Lucas). A televis&#195;&#163;o, por exemplo, &#195;&#169; povoada por elementos, indiv&#195;&#173;duos e situa&#195;&#167;&#195;&#181;es inspiradas nesse princ&#195;&#173;pio dos &#226;€&#156;recordes&#226;€&#157; num&#195;&#169;ricos (de peso, de altura, de dist&#195;&#162;ncia, de velocidade etc.). Basta analisar a cole&#195;&#167;&#195;&#163;o de homens obesos ou quase obesos que desfila por telejornais e programas de &#226;€&#156;entretenimento&#226;€&#157; nas redes de televis&#195;&#163;o nacionais: Faust&#195;&#163;o e J&#195;&#180; Soares s&#195;&#163;o apenas esp&#195;&#169;cimes cl&#195;&#161;ssicos (da Rede Globo). Seguem-se a eles Datena e Gilberto Barros, da Rede Bandeirantes, e Luciano Faccioli, da Rede Record, para citar os que mais aparecem. Como profissionais (do jornalismo ou do &lt;EM&gt;showbiz&lt;/EM&gt;, que uma coisa aqui j&#195;&#161; n&#195;&#163;o se dissocia da outra) s&#195;&#163;o mais ou menos med&#195;&#173;ocres, e tudo indica que aparecem mais pelo excesso de gordura do que pelo &#226;€&#156;servi&#195;&#167;o&#226;€&#157; que prestam. &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Outro dia, no in&#195;&#173;cio de novembro, juntaram-se numa &#195;&#186;nica cena &#226;€&#147; algo grotesca &#226;€&#147; o apresentador J&#195;&#180; Soares, que se vende corporalmente na m&#195;&#173;dia como &#226;€&#156;o gordo&#226;€&#157;, e o chamado &#226;€&#156;homem mais alto do mundo&#226;€&#157;, assim apelidado por uma dessas b&#195;&#173;blias da imbecilidade contempor&#195;&#162;nea, o tal &#226;€&#156;livro dos recordes&#226;€&#157; ou &lt;EM&gt;Guinness World Records&lt;/EM&gt;. Nada sobraria do que teria sido uma entrevista do apresentador com o tal homem mais alto do mundo, o chin&#195;&#170;s Xi Shun, 55 anos e 2,36 metros de altura: J&#195;&#180; Soares, por meio de sua veia c&#195;&#180;mica de baixa extra&#195;&#167;&#195;&#163;o, n&#195;&#163;o fez outra coisa sen&#195;&#163;o ressaltar, a golpes de sensacionalismo, o rid&#195;&#173;culo a que estavam expostos o homem gigante, mercadoria do &lt;EM&gt;Guinness &lt;/EM&gt;que perambulava mundo afora divulgando a tal b&#195;&#173;blia e um tal &#226;€&#156;Dia Mundial dos Recordes&#226;€&#157; (9 de novembro!) e ele pr&#195;&#179;prio, &#226;€&#156;o gordo&#226;€&#157;. &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Nada de interesse foi perguntado ao chin&#195;&#170;s na pseudo-entrevista: se sua altura ins&#195;&#179;lita era coisa de fam&#195;&#173;lia, quest&#195;&#163;o de gen&#195;&#169;tica, se seus parentes eram igualmente altos, se a altura lhe causava algum problema f&#195;&#173;sico (que explicasse a bengala que usava, por exemplo). Na entrevista onde tudo era falso &#226;€&#147; o chin&#195;&#170;s, que n&#195;&#163;o falava uma &#195;&#186;nica palavra em portugu&#195;&#170;s e dependia de uma int&#195;&#169;rprete, permaneceu o tempo todo alheio &#195;&#160;s piadas de mau gosto do apresentador &#226;€&#147;, sobressa&#195;&#173;am a deformidade apenas, as formas distorcidas do espet&#195;&#161;culo grotesco. Afinal, no universo do grotesco, destaca-se aquilo que se presta ao riso ou &#195;&#160; repulsa por seu aspecto inveross&#195;&#173;mil, bizarro, estapaf&#195;&#186;rdio ou caricato. Trata-se da visualiza&#195;&#167;&#195;&#163;o do monstruoso, do ins&#195;&#179;lito, do rid&#195;&#173;culo, do extravagante e do &lt;EM&gt;kitsch&lt;/EM&gt;.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Por que se exibem tantos homens gordos na televis&#195;&#163;o se n&#195;&#163;o por isso, se n&#195;&#163;o como elemento da espetaculosidade banal que configura este meio de comunica&#195;&#167;&#195;&#163;o cheio de falsas sugest&#195;&#181;es? N&#195;&#163;o seria mera coincid&#195;&#170;ncia. E n&#195;&#163;o se trata de os gordos estarem na contram&#195;&#163;o da voca&#195;&#167;&#195;&#163;o narc&#195;&#173;sica sob a qual o sentido da vida &#195;&#169; buscado, na esfera est&#195;&#169;tica, na beleza produzida nos laborat&#195;&#179;rios, nas academias de gin&#195;&#161;stica, nos regimes de alimenta&#195;&#167;&#195;&#163;o e nas cirurgias pl&#195;&#161;sticas. N&#195;&#163;o &#226;€&#147; trata-se da mesma voca&#195;&#167;&#195;&#163;o ao inverso. Trata-se, al&#195;&#169;m do mais, de um refor&#195;&#167;o no ide&#195;&#161;rio machista de que homem pode ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa e aparecer de qualquer jeito: at&#195;&#169; mesmo como o &#226;€&#156;gordo&#226;€&#157; grotesco. Ora, por que n&#195;&#163;o se exibem mulheres balofas na televis&#195;&#163;o, nos telejornais, nos programas de &#226;€&#156;variedades&#226;€&#157;? Pelo motivo &#195;&#179;bvio de que est&#195;&#161; consumada no mercado de m&#195;&#173;dia a id&#195;&#169;ia de que mulher &#195;&#169; objeto sexual e tem, portanto, que aparecer como tal &#226;€&#147; quando n&#195;&#163;o anor&#195;&#169;xica e bul&#195;&#173;mica, os quase-cad&#195;&#161;veres dos desfiles de moda.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Este coment&#195;&#161;rio n&#195;&#163;o tem nenhuma inten&#195;&#167;&#195;&#163;o preconceituosa contra gordos. O que se diz aqui &#195;&#169; que a presen&#195;&#167;a espec&#195;&#173;fica de homens obesos nas redes de televis&#195;&#163;o nacionais tem a ver com o fato de a imagem gorda deles combinar com a concep&#195;&#167;&#195;&#163;o de &#226;€&#156;consumo&#226;€&#157; e &#226;€&#156;devora&#195;&#167;&#195;&#163;o&#226;€&#157; em que se funda a m&#195;&#173;dia hoje &#226;€&#147; &#226;€&#156;devorar&#226;€&#157; no sentido mesmo de destruir r&#195;&#161;pida e completamente, de apoderar-se, de usurpar.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&#195;&#137; antes por seu peso e tamanho f&#195;&#173;sico que o apresentador-jornalista Luciano Faccioli, da Rede Record, &#195;&#169; homem de televis&#195;&#163;o. N&#195;&#163;o &#195;&#169; por excel&#195;&#170;ncia profissional. No telejornal matinal &lt;EM&gt;S&#195;&#163;o Paulo no Ar&lt;/EM&gt;, o apresentador d&#195;&#161; um &lt;EM&gt;show&lt;/EM&gt; de obviedade piegas nos coment&#195;&#161;rios e an&#195;&#161;lises descabidas do notici&#195;&#161;rio que apresenta. Para n&#195;&#163;o falar da espetacularidade perversa operada por Datena (&lt;EM&gt;Brasil Urgente&lt;/EM&gt;, Rede Bandeirantes) &#195;&#160; custa da explora&#195;&#167;&#195;&#163;o da viol&#195;&#170;ncia no universo das classes pobres. Para n&#195;&#163;o falar de outra nulidade chamada Gilberto Barros (&lt;EM&gt;Boa Noite Brasil&lt;/EM&gt;, Rede Bandeirantes). &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Num conto antol&#195;&#179;gico e genial chamado &#226;€&#156;A Menor Mulher do Mundo&#226;€&#157; (em &lt;EM&gt;La&#195;&#167;os de Fam&#195;&#173;lia&lt;/EM&gt;, 1960), a escritora Clarice Lispector esgotou essa caracter&#195;&#173;stica de apropria&#195;&#167;&#195;&#163;o devoradora da m&#195;&#173;dia que transforma pessoas em ex&#195;&#179;ticas not&#195;&#173;cias de jornal ou televis&#195;&#163;o (como J&#195;&#180; Soares fez com &#226;€&#156;o homem mais alto do mundo&#226;€&#157;).  &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;A narrativa de Clarice vai apresentando o processo de &#226;€&#156;devora&#195;&#167;&#195;&#163;o&#226;€&#157; de que &#195;&#169; v&#195;&#173;tima a personagem &#226;€&#156;Pequena Flor&#226;€&#157;, a menor mulher do mundo, descoberta &#226;€&#156;nas profundezas da &#195;&#129;frica Equatorial&#226;€&#157; pelo explorador Marcel Pretre. &#226;€&#156;No Congo Central descobriu realmente os menores pigmeus do mundo. E (...), entre os menores pigmeus do mundo, estava o menor dos menores pigmeus do mundo.&#226;€&#157; Era uma mulher, que estava gr&#195;&#161;vida, e a quem o explorador apelidou de &#226;€&#156;Pequena Flor&#226;€&#157;: &#226;€&#156;Marcel Pretre defrontou-se com uma mulher de quarenta e cinco cent&#195;&#173;metros, madura, negra, calada&#226;€&#157;. Todo o conto &#195;&#169; a express&#195;&#163;o do contradit&#195;&#179;rio sentimento de amar sem devorar nem ser devorado: &#226;€&#156;E ent&#195;&#163;o ela estava rindo (...). E ela continuou fruindo o pr&#195;&#179;prio riso macio, ela que n&#195;&#163;o estava sendo devorada. N&#195;&#163;o ser devorado &#195;&#169; o sentimento mais perfeito. N&#195;&#163;o ser devorado &#195;&#169; o objetivo secreto de toda uma vida&#226;€&#157;.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Primeiro conta-se como a ra&#195;&#167;a de Pequena Flor estava sendo aos poucos exterminada, a devora&#195;&#167;&#195;&#163;o real: &#226;€&#156;Sua ra&#195;&#167;a de gente est&#195;&#161; aos poucos sendo exterminada. (...) Os bantos os ca&#195;&#167;am em redes, como fazem com os macacos. E os comem. Assim: ca&#195;&#167;am-nos em redes e os comem. A racinha de gente, sempre a recuar e a recuar, terminou aquarteirando-se no cora&#195;&#167;&#195;&#163;o da &#195;&#129;frica, onde o explorador afortunado a descobriria&#226;€&#157;.&lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;Num segundo momento, Pequena Flor &#195;&#169; v&#195;&#173;tima de uma devora&#195;&#167;&#195;&#163;o simb&#195;&#179;lica: a de seu aparecimento num ve&#195;&#173;culo de imprensa. &#226;€&#156;A fotografia de Pequena Flor foi publicada no suplemento colorido dos jornais de domingo, onde coube em tamanho natural. Enrolada num pano, com a barriga em estado adiantado. O nariz chato, a cara preta, os olhos fundos, os p&#195;&#169;s espalmados. Parecia um cachorro.&#226;€&#157; Pequena Flor &#195;&#169; ent&#195;&#163;o v&#195;&#173;tima da rea&#195;&#167;&#195;&#163;o da gente gorda que a v&#195;&#170; no jornal e quer tamb&#195;&#169;m com&#195;&#170;-la, apoderar-se dela, usurp&#195;&#161;-l&#195;&#161;. Em uma casa, um menino leitor diz &#195;&#160; m&#195;&#163;e perplexa diante da foto da menor mulher do mundo: &lt;/P&gt;

&lt;P align=justify&gt;&#226;€&#156;&#226;€&#147; Mam&#195;&#163;e, se eu botasse essa mulherzinha africana na cama de Paulinho, enquanto ele est&#195;&#161; dormindo? Quando ele acordasse, que susto, hein! Que berro, vendo ela sentada na cama! E a gente ent&#195;&#163;o brincava tanto com ela! A gente fazia ela o brinquedo da gente, hein!&#226;€&#157; &lt;/P&gt;

&lt;P&gt; &lt;/P&gt;

&lt;P&gt;&lt;STRONG&gt;Marilene Felinto&lt;/STRONG&gt; &#195;&#169; escritora.&lt;/P&gt;]]></content>
	    </entry>
		  <entry>
	    <title>amor verbo intransitivo</title>
	    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://raladoo.buzznet.com/user/journal/51836/"/>
	    <id>buzznet:user:entry:id:51836</id>
	    <issued>2006-09-07T21:30:41Z</issued>
	    <modified>2006-09-07T21:30:41Z</modified>
	    <created>2006-09-07T21:30:41Z</created>
	    <summary type="application/xhtml+xml"><![CDATA[<div style="position: relative; width: 550px;">
 <div style="float: right; width: 397px; height: 205px;">
 <div><strong class="titulos">Amor: verba intransitiva </strong>
 <br>
 <strong class="subtitulos">Pesquisando&#133;]]></summary>
	    <author><name>raladoo</name></author>
	    <content type="application/xhtml+xml" mode="xml" xml:lang="en-us"><![CDATA[&lt;div style=&quot;position: relative; width: 550px;&quot;&gt;

									&lt;div style=&quot;float: right; width: 397px; height: 205px;&quot;&gt;

									&lt;div&gt;&lt;strong class=&quot;titulos&quot;&gt;Amor: verba intransitiva &lt;/strong&gt;

									&lt;br&gt;

									&lt;strong class=&quot;subtitulos&quot;&gt;Pesquisando o amor e o &#195;&#179;dio em Z&#195;&#162;mbia,&lt;/strong&gt;

										

									

									&lt;div style=&quot;background: transparent url(img/bg_destaque.gif) repeat scroll center top; position: relative; width: 397px; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: right; height: 142px;&quot;&gt;

												&lt;div style=&quot;position: absolute; left: -153px; top: 20px; width: 280px; height: 18px; text-align: right; padding-right: 5px; background-color: rgb(0, 208, 236);&quot;&gt;

												&lt;strong class=&quot;f11-white&quot;&gt;por Henrique Goldman&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;



							

																									&lt;img src=&quot;http://www.trip.com.br/admin/smarty/templates/img_upload/violinista.jpg&quot; alt=&quot;&quot; height=&quot;142&quot; width=&quot;260&quot;&gt;

												

							

									&lt;/div&gt;

									



									&lt;/div&gt;

									&lt;/div&gt;

									

									&lt;/div&gt;

									

									

											

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt; O nome dela &#195;&#169;

Salom&#195;&#169;. Ela tem 22 anos, &#195;&#169; portadora de uma bunda nababesca e um par de

peitos estonteantes -- poderia perfeitamente ser a Trip Girl, se

houvesse uma edi&#195;&#167;&#195;&#163;o zambiana da nossa revista. Mora sozinha num barraco

sem janelas, sem &#195;&#161;gua corrente e sem eletricidade em Missis, uma favela

f&#195;&#169;tida de Lusaka, capital da Z&#195;&#162;mbia. Ela cobra dez d&#195;&#179;lares por um

boquete e 20 por uma foda completa. Sem camisinha, o pre&#195;&#167;o sobe para

30. Salome &#195;&#169; a &#195;&#186;nica sobrevivente de uma fam&#195;&#173;lia inteira dizimada pela

Aids. H&#195;&#161; alguns meses ela fez o exame para saber se estava infectada,

mas nunca teve coragem de buscar o resultado.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;Deixei

claro que eu n&#195;&#163;o queria sexo e, por 500 d&#195;&#179;lares semanais, consegui

conquistar a sua amizade. Ela foi o meu guia pelos bares e prost&#195;&#173;bulos

da Z&#195;&#162;mbia, onde eu estou fazendo uma pesquisa sobre amor e &#195;&#179;dio entre

ricos e pobres. Est&#195;&#161;vamos almo&#195;&#167;ando quando eu perguntei para a Salom&#195;&#169;

se ela j&#195;&#161; tinha se apaixonado. Ela me olhou com olhos g&#195;&#169;lidos, sorriu

amargamente e disse, entre uma mordida e outra numa coxa de frango: &#226;€&#156;Eu

vejo as pessoas se apaixonando nas novelas, eu vejo casaizinhos brancos

bem vestidos andando pelas ruas de Lusaka de m&#195;&#163;os dadas, eu ou&#195;&#167;o

can&#195;&#167;&#195;&#181;es rom&#195;&#162;nticas no r&#195;&#161;dio e acho tudo muito lindo. Mas esse neg&#195;&#179;cio

de amor &#195;&#169; coisa s&#195;&#179; pra rico. Pobre, que passa fome, que mora em favela

e que n&#195;&#163;o pode pagar dentista quando tem dor de dente, nem sabe o que &#195;&#169;

amor. Pensa s&#195;&#179; em sobreviver&#226;€&#157;.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;Fiquei alguns instantes absorvendo suas palavras.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;Fiquei

parado, olhando para ela sem conseguir engolir a comida, querendo

continuar a entrevista mas sem imagina&#195;&#167;&#195;&#163;o para pensar na pr&#195;&#179;xima

pergunta. Indiferente, ela terminou a coxa do frango e come&#195;&#167;ou a comer

a asa. Aos poucos percebi que o que ela acabara de me dizer era muito

profundo e revelador. Percebi que foi para ouvir isso que vim at&#195;&#169; a

&#195;&#129;frica.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;Amor,

no sentido de uma rela&#195;&#167;&#195;&#163;o rom&#195;&#162;ntica entre dois seres humanos, &#195;&#169; um

conceito universal, inerente a todos, ou uma mera constru&#195;&#167;&#195;&#163;o cultural?

P&#195;&#163;o vale mais do que beijo? O quanto mais ou menos? E o tes&#195;&#163;o? Tes&#195;&#163;o &#195;&#169;

mais p&#195;&#163;o, mais beijo ou s&#195;&#179; uma confus&#195;&#163;o a mais? Na extrema mis&#195;&#169;ria de

Auschwitz, as pessoas n&#195;&#163;o se apaixonavam? Onde existe mais verdade &#226;€&#147; em

O Capital, de Karl Marx, ou no Romeu e Julieta, de William Shakespeare?

&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;Minha

pesquisa deveria ter gerado resultados, dados e conclus&#195;&#181;es. Mas, longe

disso, este encontro com a Salom&#195;&#169; deu mais um, entre tantos n&#195;&#179;s na

minha cabe&#195;&#167;a. Se &#195;&#169; verdadeira a equa&#195;&#167;&#195;&#163;o menos dinheiro, menos amor, o

Bill Gates deve ser o homem mais rom&#195;&#162;ntico do mundo, muito mais

rom&#195;&#162;ntico do que o Roberto Carlos.&lt;br&gt;&lt;br&gt;ilustra&#195;&#167;&#195;&#163;o de stephan

doitschinoff reproduzida do livro Palavra Cigana &#226;€&#147; seis contos n&#195;&#180;mades,

de Florencia Ferrari (Cole&#195;&#167;&#195;&#163;o Mitos do Mundo, CosacNaify, 2005)&lt;/p&gt; &lt;br&gt;&lt;br&gt;*Henrique Goldman, 44, cineasta, sempre teve saldo suficiente para se apaixonar. Seu e-mail &#195;&#169;: &lt;a href=&quot;mailto:hgoldman@trip.com.br&quot;&gt;hgoldman@trip.com.br&lt;/a&gt;]]></content>
	    </entry>
	</feed>
