September 5, 2005Os (atuais) Donos do Poder
Os (atuais) Donos do Poder
Ao assumir a presidência da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, antes considerado só um deputado folclórico, com dificuldades na dicção e dono de um histórico político de práticas fisiológicas e clientelistas, tendo uma candidatura construída à base de promessas de aumento de salários e outros benefícios aos parlamentares que compõem a casa legislativa, se tornou um deputado que se destaca entre os comuns. Depois de uma manobra política infeliz, o que parecia impossível aconteceu, de "rei do baixo clero", Severino tornou-se presidente da Câmara. Ou seja, é o terceiro homem do País. Claro que o destaque não foi proporcionado apenas pelo cargo, mas, sobretudo, pelo desgaste que ele vem sofrendo com a polêmica criada em torno de suas posturas e declarações. Tem sido feito de tudo para perpetuar a figura folclórica do presidente da Câmara. Nesse esforço, concorrem elementos de todos os tipos: desde preconceitos vulgares contra a Região Nordeste até sentimentos conservadores característicos da velha direita. Por isso mesmo, considero importante trabalhar uma perspectiva diversa, ainda pouco explorada. Há um número expressivo de constatações e análises que tentam explicar e entender o que aconteceu, mas aqui chamo atenção para: por que um político como ele, ou seja, com todas as características oligárquicas, idéias conservadoras, foi vitorioso no referido pleito? Tenho como ponto de partida, e não desconsidero as falhas cometidas pelo Partido dos Trabalhadores na candidatura de Luiz Eduardo Greenhalg, que tal fato ocorreu porque os setores oligárquicos têm atuado para se manter como uma força política relevante no cenário nacional. E a vitória de Severino indica que os que atuam na esfera política não estão derrotando as oligarquias. E pior, que os políticos à frente do Executivo e do Legislativo não têm sequer tentado derrotá-las. Não restam dúvidas de que os quadros políticos foram renovados quanto a pessoas, não quanto a práticas, que têm-se mantido coerentes com a forma de operar das forças oligárquicas. A lógica que predomina é a de seus interesses eleitoreiros, dos conchavos, da pessoalidade, do protecionismo de interesses particulares e da utilização do dinheiro público na preservação dessas estruturas. A eleição de Severino Cavalcanti trouxe perdas irrecuperáveis à sociedade brasileira, o que há de mais atrasado, mais retrógrado no campo político, foi o vencedor. Preserva intactas as convicções fundamentalmente voltadas para a manutenção do status quo e, portanto, do que há de mais grave nesse país: a exclusão social e política. Enfim, vivenciaremos uma conjuntura na qual a ampliação da democracia e a reafirmação da luta por justiça social, com certeza, parecerão mais distantes e há partidos políticos, pessoas, personalidades e autoridades públicas responsáveis por termos chegado onde estamos.
Posted on 09/05/2005 3:24 PM Comments (1)
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