August 27, 2005Alguma coisa x o mesmo
Alguma coisa x o mesmo
Eis que Fernando Henrique Cardoso vem em defesa de Luiz Inácio Lula da Silva justamente quando, salvo alguns "lulistas" que praticam o culto à personalidade, ninguém agüenta mais a discurseira vazia e caótica do presidente.
Posted on 08/27/2005 6:12 PM Comments (0)
August 25, 2005Democracídio
Democracídio
por Izaías Almada
5:30 a.m, sul da Flórida. Um dia qualquer de 1996. No pequeno aeroporto próximo a Miami, dois homens dirigem-se até ao bimotor que os aguarda já com os motores ligados. Munidos de autorização para vôos de instrução, caminham em silêncio. Um deles, loiro, alto, de olhos azuis, parece ser o instrutor. O outro, mas baixo, pele morena, é – pelos documentos apresentados – o aluno. A avioneta decola exatamente às 5:34 a.m.
6:45 a.m, noroeste da ilha de Cuba. Um dia qualquer de 1996. Alguns camponeses já estão a trabalhar quando são surpreendidos pelo vôo rasante de uma avioneta que vai deixando um rastro de fumaça branca sobre as lavouras. Entreolham-se, sem saber muito bem se alguma atividade de espargir algum remédio sobre a plantação havia sido autorizada pelo governo. Da Flórida, o governo cubano recebe informações de cidadãos cubanos que ali vivem que grupos anticastristas e mafiosos cubanos têm preparadas ações contra o território e o povo de Cuba, com invasões do seu espaço aéreo. Nas semanas seguintes ao vôo do bimotor que partiu da Flórida, na região noroeste de Cuba é constatada a presença de um vírus de dengue hemorrágico. Morrem 158 pessoas, dentre elas 101 crianças. Em outra parte da ilha, a epidemia Trip Asiática se abateu sobre parte da agricultura de milho, tomates e cenouras. 1998, são presos na Flórida alguns cidadãos cubanos, acusados de espionagem e conspiração contra o governo dos EUA. Seu “crime”: alertar sobre as ações das pequenas avionetas e de outros eventuais atentados contra a soberania cubana. Seus nomes: Gerardo Hernández, Ramon Labañino, Fernando González, Antonio Guerrero e René González. Dezessete meses incomunicáveis antes do julgamento, julgamento de sete meses, no Estado da Flórida, vigiado e controlado pela máfia cubana que exerce enorme influência sobre o governo local (governado por um irmão de George W. Bush) e mesmo nacional, Estado onde Bush venceu fraudulentamente as eleições de 2000. As penas: René González, pena de quinze anos na prisão de Exxcel (Carolina do Sul), Gerardo Hernández, condenado a duas prisões perpétuas e mais quinze anos (sic) a cumprir na prisão de Victorville (Califórnia); Ramon Labañino, prisão perpétua e mais quinze anos de reclusão (sic), preso em Dumont (Texas); Fernando González, condenado a dezenove anos de reclusão, cumpre pena em Oxford (Wisconsin); e finalmente Antonio Guerrero, prisão perpétua e mais dez anos (sic), que está preso em Florence (Colorado). Nenhum dos presos pode receber a visita de familiares. Aqui, como no cinema, cortamos para: Ano de 2005, Falujah, Iraque. Militares americanos, em defesa dos valores da democracia de Bush, Rumsfeld & Cia., cometem mais um massacre contra a população civil iraquiana, a pretexto de ir atrás de insurgentes. Entre os civis estão mais de 22 crianças. Tudo começou com a busca de armas químicas e destruição em massa, mentira já admitida pela mídia norte-americana e também para levar a democracia cristã ocidental, civilizada, aos “povos bárbaros” do Oriente Médio e Ásia. A essa política selvagem, genocida, imoral, praticada sob o olhar apático – e por vezes cúmplice – de grande parte dos países do mundo, gera-se e fomenta-se o terrorismo de facções muçulmanas e de pequenos partidos radicais árabes, num cenário de violência que só interessa àqueles cuja política econômica prevê a exclusão de 80 por cento da humanidade da riqueza produzida e dos benefícios sociais daí advindos. Política que já nos dá a liberdade de criar o neologismo “democracídio”, democracia imposta pela força das armas, com a ampliação e a sustentação da miséria e desigualdade social e com a paz dos cemitérios. Izaías Almada é escritor e dramaturgo
Posted on 08/25/2005 3:57 PM Comments (0)
August 18, 2005APRENDA A VER UM POLITICOGosto de política. Assistir aos altos e baixos que se desenvolvem no cenário político, para quem está de fora, eu diria que é uma coisa mais ou menos, assim, como o beisebol. Quem não está acostumado a assistir aos jogos, acha tudo bastante estranho. Um cara joga a bola, de uma maneira engraçada, em direção a outro cara vestido de um jeito estranho que a rebate com um taco e todos saem correndo em várias direções até que decidem parar. Os jogos são longos, dá para se levantar, comprar um cachorro- quente, bater papo e voltar a assistir ao que está acontecendo. Só quem conhece os jogadores, as regras, os recordes a serem quebrados, o histórico de cada um, é que desfruta do espetáculo. Das vitórias, das derrotas, da estratégia.
*J. R. Duran, 52, fotógrafo, escritor e, mais que tudo, observador privilegiado, aprendeu a arte de enxergar além do que vê. Seu e-mail é: studio@jrduran.com.br
Posted on 08/18/2005 6:05 PM Comments (1)
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